Preconceito Linguístico

Enviada em 28/09/2018

O preconceito linguístico é um comportamento segregador repudiável, pois demonstra desrespeito às várias formas de falar e fere os princípios instituídos na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, a qual visa assegurar o respeito e o pleno desenvolvimento de todas as línguas. Nesse contexto, deve-se analisar como a intolerância e os estigmas sociais provocam tal problemática.

A intolerância é uma das principais causas do preconceito linguístico, como aborda Marcos Bagno no seu livro “Preconceito Linguístico”. Isso ocorre por uma herança de princípios segregadores explícitos no país desde o período colonial, em que os nativos eram obrigados a aprender uma língua etnocentricamente considerada superior, e essa ideia, regada por um preconceito velado, persiste na contemporaneidade. Em consequência disso, prevalece na sociedade o mito da necessidade do uso da variante padrão da língua.

Ademais, os estigmas sociais também são causas importantes do desrespeito às diferentes formas de falar. Isso decorre da supremacia linguística imposta nos meios de comunicação e nas sátiras envolvendo variantes linguísticas regionais na mídia televisiva, como observado em filmes e novelas que utilizam, frequentemente, personagens com linguagem regional característica, sobretudo nordestina, para provocar riso nos expectadores. Como consequência, essa propagação de superioridade da forma padrão leva a uma marginalização das pessoas que usam outras variantes da língua.

Diante disso, torna-se evidente, que a intolerância e os estigmas sociais precisam ser combatidos. Para isso, as escolas devem incentivar o respeito à diversidade linguística, desenvolvendo atividades lúdicas e teatrais que abordem o tema, visando estimular o senso de alteridade e valorização do outro. Além disso, a mídia televisionada, com seu grande poder de alcanse, deve quebrar a supremacia linguística da variante padrão, permitindo que os jornalistas e apresentadores se utilizem dos seus respectivos regionalismos linguísticos, além de veicular filmes e novelas sem caricaturar satiricamente a fala dos personagens. Dessa forma, o preconceito linguístico deixará de fazer parte do cotidiano.