Preconceito Linguístico

Enviada em 28/09/2018

Durante o período colonial brasileiro, iniciado no século XVI, o processo de supressão cultural eurocêntrico ao qual os indígenas foram submetidos envolveu também a imposição linguística sob esses povos, os quais tiveram, em razão disso, muitas de suas línguas extinguidas. De forma análoga, no Brasil atual, o preconceito às diversas variantes da língua persiste tanto por inadequações no ensino escolar como por frágil abordagem midiática acerca da diversidade linguística. Logo, tendo em vista a marginalização social decorrente dessa questão, medidas interventivas são indispensáveis.

Nesse contexto, é indubitável que a educação apresenta falhas perpetuadoras do preconceito linguístico. Isso confirma-se na medida em que a maior parte das escolas brasileiras baseia-se ainda em um ensino tradicional e pouco abrangente que prioriza a gramática normativa, concomitantemente, invalidando as outras variantes da língua – regionais, socioeconômicas e etárias, por exemplo. Segundo o autor Marcos Bagno, na obra “Preconceito Linguístico”, o conhecimento da norma padrão é instrumento de dominação social utilizado pela população “culta”. Esse cenário alarmante é perpetuado pelas escolas haja vista que muitos alunos, em razão do ensino arcaico, tratam os outros dialetos inerentes à identidade cultural brasileira como formas errôneas de expressão, tornando os seus falantes vítimas de exclusão social. Assim, ações visando à renovação do ensino são fundamentais.

Ademais, é indiscutível a insuficiência da mídia no que diz respeito à propagação da diversidade linguística. No século XX, durante a primeira fase do Modernismo no Brasil, ideais nacionalistas de valorização da “linguagem brasileira” e de todas as suas formas foram expressos na literatura. Em contrapartida a essa concepção, na atualidade, é possível observar nos meios midiáticos a frágil abordagem e representatividade das muitas variações linguísticas existentes e da sua importância para o patrimônio cultural do país, fazendo com que muitos indivíduos as desvalorizem. Desse modo, em razão da contribuição desse entrave à manutenção da discriminação linguística, ações midiáticas são necessárias.

Medidas, portanto, são imprescindíveis à atenuação do preconceito linguístico. Diante disso, o MEC deve renovar o atual sistema de ensino, por meio da criação de uma nova disciplina nas escolas, ministrada por professores capacitados, que não só priorize a norma culta, mas que trate igualmente de todos os “falares” brasileiros, com o fito de desconstruir a hierarquia linguística vigente. Outrossim, o Governo Federal, em parceria com emissoras de TV, deve criar um projeto de divulgação midiática, com a veiculação de novelas e propagandas televisivas que expressem e representem, fielmente, a diversidade linguística e a sua importância para a cultura nacional, a fim de valorizar essa variedade.