Preconceito Linguístico
Enviada em 29/09/2018
Chico Bento, personagem de Maurício de Sousa, é conhecido por “falar mal” o português, sendo esta, uma representação midiática importante sobre o preconceito linguístico. Apesar de possuir função coesiva, o idioma também funciona de forma negativa como elemento de coerção. Tal quadro é ocasionado pelo domínio da norma padrão por algumas classes sociais e a existência de variações que dependem de diversos fatores.
A priori, o novo acordo ortográfico que vigora desde 2016 serve com base para a modalidade escrita da língua portuguesa. Porém, infelizmente essa determinação que visava aproximar os falantes do idioma, é utilizada por certos grupos para denegrir classes menos favorecidas e sem acesso a esse conhecimento. Desse modo, a comunicação age como fator excludente, tornando as interações sociais desses indivíduos complicadas e pouco articuladas.
Por conseguinte, a variabilidade de termos devido à diferenças regionais, etárias, sociais e étnicas sofre preconceito pelo desrespeito ao padrão da linguístico. De acordo com Marcos Bagno, “A língua é um enorme iceberg flutuando no mar do tempo,e a gramática normativa é a tentativa de descrever uma parcela mais visível dele”. Nesse sentido, as regras são apenas a base do conhecimento e confere ao seu usuário as possibilidades de mudança de acordo com sua realidade.
Destarte, infere-se o uso indevido das regras básicas da língua portuguesa e as variações existentes devido ao número de falantes produz o preconceito linguístico. Logo, é necessário que o Ministério da Educação, responsável pela definição dos parâmetros educacionais, inclua dentro da grade curricular de português o ensino sobre a variabilidade da lingua e a fluidez que ela permite aos seu usuários. Assim sendo, o objetivo é acabar com as práticas excludentes e facilitar a comunicação entre todos os falantes, desse modo, a conscientização irá permitir a verdadeira função coesiva do idioma.