Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2018
Preconceito linguístico é qualquer forma de julgamento depreciativo contra o modo que alguém fala, principalmente desta ter características regionais, culturais, históricas ou sociais que influenciam na sua estruturação. Hodiernamente, observa-se que, no Brasil, o preconceito linguístico tem se tornado palco de discussões, e expõem um delicado problema social. Nesse ínterim, são perpetuadores dessa problemática o preconceito da sociedade quanto às variantes da língua, bem como a falta de educação linguista no território nacional.
Preliminarmente, é preciso entender que um dos fortes contribuidores para a extensão dessa questão é a não aceitação das variantes da língua. Isso transcorre essencialmente por causa do ideal de que o português ‘‘correto’’ é aquele que segue rigorosamente o padrão da norma culta. Consoante ao pensamento do linguista Carlos Bagno na sua obra ‘‘Preconceito linguístico: o que é, como se faz’’, o preconceito inerente na sociedade é caracterizado pela negação das variantes da língua portuguesa, pois esta pode variar de acordo com as classes sociais, regiões e grau de instrução, e ignorar todas essas condições é uma forma de preconceito e exclusão social.
Além disso, outro ponto substancial nessa temática é a falta de educação sobre a língua no território brasileiro. Nessa conjuntura, o preconceito ganha cunho de caráter excludente para com aqueles que não falam de acordo com a norma culta padrão, pois, para muitos brasileiros, não falar o que seria o ‘‘português correto’’ é sinônimo de ignorância e burrice. Entretanto, segundo o filósofo Michael Foucault, é preciso mostras às pessoas que elas são livres para quebrar pensamentos errôneos construídos em momentos errados da história. Logo, para transpor as barreiras do preconceito linguístico no Brasil, são necessárias mudanças no corpo social.
Portanto, diligências carecem ser tomadas para a resolução desse quadro. Destarte, o Governo, por intermédio do Ministério da Educação, deve promover um programa contra o preconceito linguístico em todos os níveis de educação (fundamental, médio e superior) com objetivo de debater sobre as mais variantes formas da língua portuguesa, bem como a importância de valorizar e respeitar as diferenças linguísticas presentes na sociedade tupiniquim, para assim, diminuir e combater preconceitos. Para mais, a mídia deve investir em debates e propagandas de cunho elucidativo com propósito de desmistificar as ideias errôneas arraigadas na sociedade, e assim, contribuindo para desconstrução e promovendo maior respeito entre as diferenças.