Preconceito Linguístico
Enviada em 31/10/2018
Desde a Idade Antiga, os homens utilizam vários mecanismos para conseguir se comunicar e interagir entre si, exemplos: línguas de sinais, escrita e a fala. Ademais, com o passar do tempo, esses mecanismos vão sofrendo variações para melhor se adaptar com a necessidade de interação social. Com isso, atualmente, é recorrente encontrar inúmeras variações linguísticas da Língua Portuguesa no território brasileiro. Porém, essas alterações são, muitas vezes, taxadas como erros, ocasionando assim o preconceito linguístico e dois responsáveis por ele é a ignorância do ser humano e a própria forma de ensinar a gramática normativa.
Primeiramente, segundo Sócrates, os erros são consequência da ignorância humana. Logo, a falta de conhecimento sobre as variações que podem ocorrer na linguagem ocasiona o caso de pessoas em especial da classe média alta se colocarem no direito de discriminar e ridicularizar outras pelo fato destas se comunicarem de forma diferente, como pessoas da classe média baixa. A exemplificar, no programa Jô Soares, no qual em seus comentários, opiniáticos, ridiculariza a escrita incorreta brasileira, que foi em grande parte escrita por cidadãos da classe baixa. Desse modo, é necessária a utilização da própria mídia para reverter essa situação e trazer informações que abordem esses assuntos, visto que, são pouco explorados por elas, e dessa forma mudar o pensamento da população sobre suas ações.
Além disso, é importante ressaltar que uma grande protagonista dessa confusão sobre a forma “correta” e a “errada” de se falar é a gramática normativa, pois a forma como é ensinada nas escolas, televisão, revistas e livros manuais ensina as pessoas a pensarem que o correto não é apenas usar na escrita a norma padrão, e sim na fala também. A ilustrar, podemos observar, nas histórias em quadrinhos de Chico Bento, que a professora dele sempre passa sermões nele sobre seu modo de conversar. Então, é primordial que haja uma desmistificação em relação à gramática e língua, dado que a primeira é apenas uma maneira de descrever uma pequena parcela da língua.
Portanto, é de extrema relevância que o Ministério da Educação, através de normas, implemente, na matéria de Língua Portuguesa, o tema variação linguística e desmistifique o conceito errôneo que se tem entre a gramática normativa e a língua, por consequência a informar que sua utilização é apenas uma forma de padronizar a forma escrita e que a gramática não é a língua, por isso ninguém tem o direito de cometer assédio linguístico por achar uma forma ou outra mais adequada. Não menos importante, juntamente com o governo e a mídia, que são formadoras de opinião, por intermédio de outdoor, revistas e televisão, trazer propagandas que abordem assuntos e situações que o preconceito linguístico gera, assim mudando opiniões e revertendo essa problemática no país.