Preconceito Linguístico
Enviada em 28/09/2018
O preconceito linguístico surge a partir da diferença entre linguagem e gramática normativa, a primeira tem o objetivo de realizar a comunicação, já a segunda é responsável pelas regras gramaticais. No Brasil, devido a extensão territorial, o português – idioma oficial – não é expresso da mesma forma em toda parte, o que é denominado de variações linguísticas. Diante disso, surgem as discriminações que levam a violência e a problemas de sociabilidade.
Primeiramente, de acordo com a Empresa Brasil de Comunicações (EBC), o país possui mais de duzentas línguas e é considerado um dos mais diversificados do mundo. Entretanto, o preconceito linguístico é presente desde o processo de colonização, o qual impôs a língua portuguesa e ignorou a existência de línguas nativas. A pluralidade da nação é notória e as formas de agressão também, exemplo disso é a população do Nordeste que sempre é alvo de piadas e deboche devido ao sotaque regionalizado, mas vale ressaltar que não existe português errado e sim inadequado.
Contudo, é evidente que a interlocução não depende de usar as palavras “certas” e, sim, do lugar e do público a quem se fala, isso é enfatizado pelas variantes linguísticas. Além disso, o Modernismo - escola literária - já buscava uma linguagem nacional, mas notou a abundância nas formas de se comunicar, o que tornava impossível uma singularidade. Porém, mesmo com essa variedade é visível as consequências causadas por essa intolerância, como: insegurança e exclusão social que podem levar a transtornos psicológicos.
Infere-se, portanto, que é imprescindível que o Ministério da Educação promova uma semana da variação linguística nas escolas, selecionando alunos orientados por linguistas para exibir a heterogeneidade de cada região, a fim de que apresentem as diversidades do país e com isso informar que há várias formas de dialogar e não incorretas. Ademais, a mídia juntamente com o Ministério das Comunicações, devem criar um programa de desconstrução do conceito de português “certo ou errado” por meio das redes sociais, com profissionais da área, com o intuito de divulgar aos internautas sobre a multiplicidade das línguas da pátria. Assim, contribuir para o fim da discriminação linguística causada pelo preconceito.