Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2018

Entre os debates mais intensos que permeiam a sociedade hodierna, um dos assuntos que não pode ser colocado em segundo plano, certamente, é o preconceito linguístico. O personagem Cebolinha criado pelo escritor Mauricio de Sousa, apresenta dificuldades na pronuncia das palavras, fazendo com que o seu modo de falar, apresente distorções. Conquanto, a mensagem transmitida pelo personagem ainda é facilmente compreendida pelos seus amigos. De maneira análoga, as diferentes regiões do Brasil apresentam variações da língua, ocasionando assim um preconceito intrinsecamente ligado na sociedade, que pode causar problemas de sociabilidade e até mesmo, psicológicos.

Nesse contexto, é importante ressaltar que durante o período pré-colonial, a grande extensão do território brasileiro fazia com que coexistisse milhares de tribos indígenas, cada uma com sua própria língua. No entanto, com o processo de colonização, a supremacia dos portugueses sobre os nativos, ocasionou o desaparecimento de diversas línguas indígenas, fato motivado pelo desejo dos colonizadores de impôr o português trazido de Portugal para a nova terra conquistada. Dessa forma, o assédio linguístico, infelizmente, é um obstáculo presente no decorrer da história, necessitando de ações para reverter esse nefasto cenário.

De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra ‘‘Modernidade Líquida’’, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós-modernidade, e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Dessa forma, os indivíduos utilizam a língua como ferramenta de segregação, analisando apenas a sua variação linguística e julgando como errado as variantes diferentes, fazendo com que se torne motivo de piadas e discriminação. Nesse sentido, um caminho possível para combater o preconceito linguístico é desconstruir o principal problema da pós-modernidade, segundo Bauman: o individualismo.

Infere-se portanto, que é imprescindível a mitigação do preconceito linguístico em âmbito nacional. Nessa perspectiva, o Ministério da Educação em parceria com as escolas, deve inserir na grade curricular conteúdos que ensine aos alunos as diferentes variações linguísticas e a sua importância para um harmonioso convívio, a fim de uniformizar o laço social e, também, cumprir com a máxima de Nelson Mandela que constitui a educação como segredo para transformar o mundo. Ademais, a mídia com seu poder persuasivo, deve transmitir vídeos em que as pessoas de diferentes localidades apresentem palavras e expressões populares, fazendo com que tenha uma integração entre variações distintas e vá diminuindo esse preconceito.