Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2018

Funcionando conforme a primeira lei de Newton, a Lei da Inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força suficiente atue sobre ele, mudando-o de percurso, o preconceito linguístico é um problema que persiste há tempos em nossa sociedade. Dessarte, ao invés de funcionar com força suficiente capaz de mudar o percurso desse problema, a norma padrão, somada à negligência do Estado, contribuem para o agravamento desse movimento.

Com efeito, é crucial notar que Marta Scherre, em 2015, já denunciava que o preconceito linguístico atinge todo o legado da história da comunicação humana, consequência de uma normatização imposta a todos os usuários da língua. Nesse contexto, percebe-se uma sociedade que ridiculariza pessoas por se expressarem de forma distanciada do modelo padrão imposto a elas. Como exemplo, citar o escritor Ariano Suassuna, o qual foi ofendido nas redes sociais devido a seu modo de falar em suas palestras. Dessa maneira, a sociedade não pode simplesmente assistir o crescimento exponencial do preconceito linguístico.

No que tange à perpetuação dos valores preconceituosos, é importante perceber que ela é feita por meio da inércia do Estado diante do problema. À vista disso, nota-se tal aspecto presente na Constituição, na qual a ausência de leis que amparem pessoas que foram discriminadas pelo modo de falar ou escrever gera, assim, a sensação de não pertencimento social. Diante do exposto, é intolerável que tal cenário perpetue-se e ações rápidas são essenciais para melhorar a vida coletiva.

Portanto, medidas se fazem necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educação deve realizar ações de conscientização nas escolas. Isso ocorrerá por meio de campanhas e palestras socioeducativas. A fim de mostrar a importância do respeito ao próximo para a preservação da dignidade humana e gerar a reflexão a respeito da diversidade linguística. Outrossim, o Poder Legislativo pode elaborar leis que assistam pessoas que venham a ser constrangidas pelo modo de falar ou escrever.