Preconceito Linguístico

Enviada em 28/09/2018

Na Biologia, nos estudos sobre genética, aprende-se que um ser possui dominância sobre o outro. Não obstante, no mundo contemporâneo, ao analisar a questão das variantes linguísticas, nota-se a classificação de superioridade de uma língua sobre a outra falada em diferentes regiões, o que culmina no crescimento do preconceito linguístico. Nesse contexto, deve-se analisar como a herança histórica e a educação brasileira corroboram para a persistência da problemática em questão.

Mormente, é indubitável que a questão do preconceito linguístico tem origem desde o processo de colonização do Brasil. Isso porque quando os portugueses começaram a ocupar o território, os jesuítas empregaram a chamada ‘’língua geral’’ para a catequização dos índios, o que ocasionou na marginalização do método original de comunicação entre esses. Além disso, o extermínio dos índios ao decorrer dos anos acarretou no desaparecimento de centenas de línguas originais desses aborígenes. Por consequência dessa realidade histórica, atualmente, o Brasil ainda tem essa visão estereotipada sobre a universalização de uma só língua considerada como correta.

Ademais, a falta de discussão sobre a questão das variantes linguísticas nas instituições de ensino está entre os principais motivos. Tendo como base o pensamento do educador Paulo Freire ao afirmar que: ‘‘Se a a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda’’, pode-se notar que para desmistificar essa visão preconceituosa relacionada ao modo de falar, é primordial o apoio das escolas, caso contrário a sociedade persistirá no mesmo erro e não haverá mudanças. Outro fator comum, é a padronização da norma-culta que ocasiona a exclusão de alguns estudantes, pois eles são vítimas de discriminação ou sofrem ao socializar-se devido a sua determinada variante linguística. Em comprovação, nos quadrinhos da ‘‘Turma da Mônica’’, o personagem Cebolinha sofre de dislalia, ou seja, ele troca o R pelo L durante a fala, por conseguinte os seus amigos acaba por marginalizá-lo e zombar do seu diferente modo linguístico. Por causa da ausência dos estudos sobre as variantes linguísticas, forma-se indivíduos cada vez mais intolerantes aquilo que é diferente ou distante dos padrões sociais.

Torna-se evidente, portanto, que essa relação de dominância da língua precisa ser combatida. Cabe ao Ministério da Educação (MEC) introduzir nas escolas o debate sobre a inclusão e o respeito para com as variantes, com a participação de pedagogos e especialistas no assunto para a formação de cidadãos responsáveis. Ademais, é indubitável a criação de uma lei pelo poder Legislativo que criminalize esse ato e o poder Judiciário seja capaz de condenar os infratores para que a sociedade fique alerta ao julgar o próximo. Destarte, a nação verde e amarela tornara-se mais tolerante.