Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2018

O Mito da Caverna, do filósofo Platão, retrata a história de um grupo de pessoas que viviam, desde o nascimento, acorrentados em uma caverna. Quando um dos prisioneiros consegue sair, a priori, fica assustado com a quantidade de coisas e formas,antes visualizadas só por sombras, mas adapta-se em seguida. Ao retornar à caverna, os presos matam o fugitivo para evitar que suas ideias influenciassem os outros. De forma análoga, a sociedade brasileira reproduz cavernas contemporâneas à medida em que se encontra acorrentada por preconceitos linguísticos que impedem a construção de uma sociedade mais justa.

Em primeiro plano, é válido salientar a dinamicidade inerente à língua portuguesa. Dito isso, as variações linguísticas revelam não só características pertencentes a uma região, mas também aspectos intrínsecos ao ser humano. Assim, é comum que em determinadas partes do Brasil, a forma de falar seja marcada por variações informais, como gírias ou diferentes conotações ao sotaque. Esse fator se deve, sobretudo, pela herança histórico-cultural herdada pela miscigenação de povos durante o período colonial. Contudo, o preconceito linguístico restringe princípios isonômicos ao passo que propulsiona a exclusão social de determinados segmentos. Nesse sentido, aos falantes da língua não formal ficou reservada a pior face da discriminação social: aquela que os colocam às margens da sociedade.

Além disso, observa-se o abandono à principal função da linguagem: a comunicação. O filósofo Franz Kafka afirmou que  a língua é  um fator a ser respeitado, visto que funciona como instrumento de união das massas. Nesse ínterim, nota-se que o Estado falha em não promover educação de qualidade e acessível a todas as parcelas da sociedade, haja vista que os principais alvos de discriminação linguística são oriundos de baixos segmentos sociais e que não tiveram acesso à educação, seja pela falta de escolas em suas áreas de origem, seja pelo funcionamento ineficaz das mesmas. Desse modo, consoante à máxima de Kafka, é crucial que o Estado possibilite a união dos povos investindo em condições igualitárias para isso.

Infere-se, portanto, que o preconceito linguístico é uma realidade a ser combatida. Para isso, é necessário que as Escolas atuem por intermédio de palestras educacionais que sensibilizem estudantes quanto  à diversidade ligada à língua portuguesa, estimulando a valorização de sua pluralidade. O Ministério da Educação deve atuar sob a rede pública de ensino oferecendo cursos básicos de língua portuguesa, sobretudo voltados para à população não letrada. Por fim, é basilar que o Estado destine maiores investimentos para melhorar a estrutura de escolas públicas e a capacitação de profissionais da educação.