Preconceito Linguístico
Enviada em 29/09/2018
Consoante Guimarães Rosa, a linguagem e a vida são uma coisa só. Dessa maneira, assim como a vida, a linguagem é uma corrente continua, que evolui constantemente. Nesse processo, ela sofre influencias da realidade em que está inserida, que, por sua vez, é composta de variedades culturais e ideológicas. A partir disso, surge uma língua, a qual é, por natureza, oriunda de múltiplas linguagens, as formas de expressão de um povo. Contudo, por conta do desconhecimento do processo de formação da língua e da ideia de que existe seu uso correto, surge em alguns cidadãos o preconceito linguístico.
Primeiramente, deve-se destacar o papel da Escola no aprendizado da língua portuguesa. Nela, dentre outras coisas, aprendemos a gramática, pautada na famosa norma culta, um conjunto de regras que determinam o uso considerado “correto” da língua falada e escrita. Contudo, a partir da ideia de que existe um modo correto de se expressar, surge o preconceito com outras variantes da língua que não estejam próximas à norma culta. Assim, dialetos regionais, como o baiano e o cearense, além das variações advindas de fatores socioculturais, como a baixa escolaridade, influem em deboche e até violência por parte dos defensores da unicidade da língua.
Simultaneamente, o ensino de língua portuguesa valoriza mais a parte sintática e gramatica da língua, em detrimento do seu processo de formação. Nele, não só os romanos e árabes tiveram sua importância para o desenvolvimento do português, quando dominaram Portugal, mas também os povos indígenas e africanos no Brasil, pois, no processo de colonização e escravidão, esses grupos trouxeram consigo a influência de sua linguagem. Destarte, os grupos formados se espalharam e se diferenciaram entre si, por conta do extenso território do brasileiro, o que levou a formação de dialetos. Caso fosse dada atenção a esses procedimentos, a multiplicidade da língua seria reconhecida e preconceito seria evitado.
Em suma, a ignorância provoca o preconceito linguístico. Assim, para que ele seja inibido, o Ministério da Educação deve, por das escolas, prover aulas e debates sobre o processo de formação da língua e os preconceitos e males advindos do desconhecimento de suas variantes. Além disso, o Governo Federal poderia criar uma instituição que discutiria e combateria o preconceito linguístico. Dessa maneira, esse órgão poderia, dentre outras ações, trabalhar em conjunto com o Ministério da Educação e a mídia, por meio da propagandas na internet, para que o mito do uso correto do português seja eliminado.