Preconceito Linguístico
Enviada em 28/09/2018
É indubitável que o Estado possui função imprescindível na construção da moral. Segunda Karl Marx, na “teoria marxista”, o governo é retratado como uma instituição classista, a qual impera a narrativa burguesa e, portanto, não representa a sociedade como um todo. Dessa forma, a condição de existência promulgada por essa classe aos indivíduos provoca percalços contribuintes da estigmatização social e, por conseguinte, transforma o preconceito linguístico em um desafio inercial e destrutivo.
Em primeira instância, cabe destacar que a fala é uma construção social, necessária para a estruturação e organização das relações interpessoais. Nesse contexto, ressalta-se sua caracterização como uma forma de estabelecer critérios para a introdução de um indivíduo na coletividade, que, por muitas vezes, é vítima de julgamentos errôneos e descabidos. O Brasil é inserido nessa conjuntura ao dinamizar diversos discursos preponderantes de elitistas, os quais acreditam que a fala é o meio principal para se tornar um cidadão apto a exercer funções majoritárias nos altos cargos dos setores de serviço. Um caso marcante dessa situação ocorreu durante os anos de governo da ex-presidente Dilma Rousseff, que foi atacada com diversas manifestações de escárnio que, em concomitância, insinuaram um despreparo para a assumir a política brasileira, apenas por conta da dificuldade de dicção durante os debates.
Como sequela, os obstáculos decorrentes do pré julgamento imposto é circunstância de atemorizamento ao livre-arbítrio. Não obstante o Artigo 5º da Constituição Federal garantir o direito à vida, à propriedade, à segurança, à liberdade e à igualdade de todo perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, a legislação ainda se mostra ineficiente, uma vez que o preconceito perene ainda prejudica as relações entre os indivíduos. Tristemente, a indicativa que, o julgamento, a partir da fala, pode marginalizar o cidadão, contribui com a inacessibilidade dessas pessoas no mercado de trabalho e com a dificuldade de construir relações afetivas, levando à problemas maiores como a depressão e síndrome do pânico. Contudo, a máxima “nada é mais difícil ou perigoso do que tomar frente na introdução de uma mudança”, de Maquiavel, transfigura-se em pertinente atualmente.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Estado introduza uma emenda na constituição que torne crime qualquer forma de violência e/ou danos psicológicos, por intermédio de multas, que serão convertidas em programas de auxílio psicossocial, e até prisões dependendo do nível de agressividade concebido. Isto posto, seria possível garantir a real isonomia e, também, reverter o quadro de exclusão vigente no país.