Preconceito Linguístico
Enviada em 27/09/2018
No século XX, surge no Brasil o movimento artístico Modernista, cujo objetivo era romper com o tradicionalismo mantido ao longo da história. Na literatura, a liberdade formal foi a mais predominante nas obras, os conceitos gramaticas rebuscados foram rompidos, valorizando o modo de escrever, sotaques e gírias dos autores. Entretanto, a tolerância e os destaques dados na época ficaram no passado e o preconceito linguístico se tornou uma realidade no corpo social brasileiro. Nesse sentido, são necessárias medidas para que a problemática seja resolvida e uma sociedade integrada alcançada.
A priori, convém ressaltar que, segundo Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado, logo, é possível visualizar a intolerância linguística acarretada por heranças históricas. Prova disso, é que na colonização do país os portugueses impuseram sua língua aos nativos, desprezando as ricas variedades linguísticas indígenas. Dessa forma, o preconceito intrínseco com qualquer língua e variante permaneceu na sociedade, um exemplo a citar são os nordestinos, que são o maior alvo de tal intolerância, pois suas gírias e modos de expressões regionais são dadas como erradas e inferiores quando comparada com as demais, o que faz essa parcela da população ser ainda mais desrespeitada.
A posteriori, é importante salientar que, os déficits da educação colaboram com o impasse, visto que a precaridade do ensino público influência na má formação dos indivíduos. De acordo com Shopenhauer, todas as pessoas tomam os limites de seu próprio campo de visão através do mundo que acerca, sob essa ótica, é possível ver nitidamente o preconceito linguístico através da educação deficitária, pois muitas pessoas terminam o ensino médio sem dominar os padrões da língua normativa e então a parcela da população que detém tal conhecimento coloca-se superior aos que não a possuem, levando a exclusão social dessas pessoas principalmente no ramo laboral.
Portanto, faz se necessário que o Ministério da Educação tome medidas e crie um projeto denominado ‘‘Os Idiomas do Brasil’’. Sendo assim, a primeira parte consistirá na instauração de uma flexibilidade na grade curricular na disciplina de Português do ensino básico e médio, ou seja, os professores deverão ensinar em paralelo ao conhecimento do idioma, as variedades linguísticas existentes na língua, levando os alunos a entender a importância de cada uma delas e seu contexto, com o fito de desenvolver a tolerância. Além disso, a segunda parte será constituída em palestras ministradas pelos professores de Sociologia, abordando a problemática atual tangente ao preconceito linguístico, de modo que os alunos sejam questionados por soluções referentes a inserção social das pessoas que sofrem tal intolerância. Posto isso, é possível obter mudanças significativas no futuro.