Preconceito Linguístico
Enviada em 28/09/2018
‘‘A única coisa que temos de respeitar, porque ela nos une, é a língua’’ afirmou Franz Kafka, escritor alemão. Não obstante, em território brasileiro o respeito perante a língua é escasso, uma vez que o preconceito linguístico está em abundância. Logo, é indubitável frisar como o prestígio social e a confusão da gramática normativa com a língua culminam no aclive da problemática.
Mormente, é inquestionável que o uso da norma-padrão em discursos orais é atrelado pela sociedade ao elevado prestígio social, ou seja, utiliza-se a norma-culta indivíduos com poder aquisitivo elevado. Por conseguinte, pessoas que não optam pela norma-padrão são oprimidas pela elite, a qual impõe como correto seu modo de falar, o que acarreta na exclusão social do restante da sociedade. Prova disso é a obra ‘‘Preconceito Linguístico: o que é, como se faz’’ do escritor brasileiro, Marcos Bagno, na qual ele afirma que o conhecimento da gramática normativa é utilizado como instrumento de distinção e dominação pela população culta.
Ademais, há uma confusão por grande parte da sociedade, a qual associa gramática normativa como sinônimo de língua. Por consequência disso, uma grande parcela do país procura aprender a norma-padrão, o que inibe as variações linguísticas já empregadas por esses cidadãos, destarte, essas pessoas perdem em seu individual parte de sua cultura devido a esse erro de associação. Em comprovação manifesta-se a construção desse estigma por muitas escolas que abordam como unitário o modo culto de comunicação, retificando os alunos que interagem através de suas variantes.
Fica claro, portanto, que para o pensamento de Franz Kafka ser válido em solo nacional, são necessárias medidas. Cabe ao Poder Legislativo elaborar uma lei específica contra o preconceito linguístico, com pena de dois a dez anos de detenção, sem fiança, além do pagamento de indenização para a vítima, dessa forma, a elite brasileira não obterá meios de realizar sua dominação através da linguagem, haja vista que o restante da população, que não pertence a alta sociedade, estará protegida perante a legislação. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) deve abordar nas instituições de ensino uma variante linguística distinta a cada bimestre, através de palestras com convidados de cada estado, além de impor ao corpo docente que as retificações apenas serão válidas na escrita, não admitindo, deste modo, a correção na fala do aluno, a qual não está incorreta, dessa maneira a exclusão social será amenizada e a cultura individual de cada ser preservada.