Preconceito Linguístico

Enviada em 01/10/2018

Deparar-se no auge da 4ª Revolução Industrial com atrasos como as discussões acerca do preconceito linguístico no Brasil, é a prova definitiva de que não se aprende com o fluxo da história como era necessário. Mesmo consolidados nos desdobramentos do Iluminismo, no século XVIII, os direitos cidadãos se liquefazem diante dos julgamentos depreciativos contra as formas que as pessoas falam. Diante disso, emerge a necessidade de análise sobre a discriminação e a inserção do indivíduo na sociedade.

Marcos Bagno, em seu livro ‘‘Preconceito Linguístico’’, pronuncia-se sobre a discriminação social por meio da linguagem. Segundo ele, a língua, desde longa data. é usada como mecanismo de inferiorização e controle social. Partindo dessa premissa, o ensino nas escolas voltando somente para a norma culta e sua divulgação como única forma correta, contribuem para a manutenção do preconceito com as expressões regionais e gírias.

Vale lembrar também sobre o modo como o indivíduo é inserido na sociedade. De acordo com Pierre Bourdieu, a classe social que cada um ocupa reflete em seus diferentes estilos de vida. Ou seja, pessoas de classes desfavorecidas e com menos escolarização, convivem muitas vezes com uma maneira de falar que é vista como errada, quando na verdade é apenas o reflexo daquilo que lhe foi ensinado. Assim, ao ingressar na escola essas pessoas são ridicularizadas, fazendo com que se sintam inferiores.

Portanto, é fundamental a articulação de uma medida em torno do preconceito linguístico no Brasil. Em termos práticos, a mídia pode criar programas que desconstruam os preconceitos acerca das variedades linguísticas. Além disso, as escolas podem desenvolver meios para se trabalhar a oralidade como forma de ensinar o aluno em quais situações usar cada tipo de linguagem. Assim é possível reduzir os impactos desse problema para  a construção de cidadania e contribuir para o respeito à diversidade.