Preconceito Linguístico
Enviada em 27/09/2018
“Só a participação cidadã é capaz de mudar um país”. Essa concepção do sociólogo mineiro Herbert de Souza, nos permite ponderar sobre como o preconceito linguístico representa uma adversidade a ser enfrentada. Nesse sentido, um diálogo entre sociedade e Estado sobre a função da língua portuguesa para as diferentes classes, é uma medida que deve ser considerada relevante.
Em primeiro plano, convém ressaltar que de acordo com o jornal Folha de São Paulo, cerca de 23,7% da população brasileira já sofreu algum repúdio ou preconceito por conta de erros ortográficos e até mesmo de pronuncia. A esse respeito, o filósofo Hans Jonas defende, na obra “A ética da responsabilidade”, que nossa ação hoje não deve comprometer gerações futuras, consequentemente, parcela da população sofre com a indiligência impregnada no corpo social sobre as diferenças de discernimento. Com efeito, é inadmissível que um país em desenvolvimento ainda sofra com práticas que infligem o nível de conhecimento do cidadão.
De outra parte, o conceito de gramática normativa apresenta que a linguagem é apontada correta apenas quando é escrita de maneira culta. Nesse tocante, o pensamento de Herbert de Souza torna-se coerente com a responsabilidade individual de cada cidadão em relação ao entendimento linguístico. Visto isso, é inaceitável que uma plaga social não se posicione perante ao tema, causando discussões preconceituosas as pessoas de nível escolar inferior.
Diante do exposto, entende-se que o preconceito linguístico requer ações mais concretas para serem atenuadas em nosso país. Sob esse viés, o Ministério Público deve realizar medidas para que a população se aproprie das questões inerentes a esse tipo de prejulgamento, através de campanhas midiáticas que visem atingir a grande massa social, e então, conter o avanço da descriminação nas cidades urbanas. Desse modo, espera-se minimizar os impasses e banir as indiferenças.