Preconceito Linguístico
Enviada em 27/09/2018
A música “ABC do sertão”, de Luiz Gonzaga, expressa o som genuíno do abecedário usado pelo povo nordestino. Nessa canção, o compositor tenta mostrar que seus conterrâneos tinham uma forma autêntica e interessante de falar e que não era errada. Entretanto, após 63 anos, percebe-se que a prática do preconceito linguístico tem tornado-se mais frequente, além de ser condicionada à invisibilidade.
Nesse contexto, um dos vetores reside na atuação da mídia. Conforme o filósofo Noam Chomsky, em sua obra “A manipulação do público”, existem algumas estratégias usadas pelos donos do poder para realizar uma verdadeira “manipulação mental” feita por intermédio dos meios de comunicação. Com isso, nota-se que personagens nordestinos em novelas, por exemplo, são representados como indivíduos obsoletos e rudes, o que é interpretado como estímulo ao preconceito. O produto de tal assertiva é a ampliação da exclusão social, o que prejudica o desenvolvimento do país.
Ademais, outro condutor dessa mazela recai sobre um processo histórico de estigmatização. Em meados do século XV, depois do descobrimento do Brasil, os europeus submeteram os nativos a um sistema de aculturação, com o ensino de suas práticas e sobretudo, de sua língua. Na contemporaneidade, nota-se o reflexo desse acontecimento, onde é imposta uma língua considerada superior, em detrimento de diversas variedades que fazem parte da formação cultural do país.
Depreende-se, portanto, que há necessidade de uma reeducação social premente. Para isso, a mídia pode influenciar por meio de campanhas publicitárias, que abordem a valorização e a importância das variedades linguísticas existentes no Brasil, a fim que haja uma conscientização social. Por sua vez, o sistema educacional deve instruir as crianças quanto à diversidade linguística brasileira, por meio de palestras e didáticas especiais, para que que inicie o tratamento desde a base, como prevenção. Logo, essa mazela será gradativamente vencida.