Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2018

O preconceito linguístico está em evidência desde o período colonial, onde os portugueses impuseram sua língua aos povos nativos, ignorando a gama de idiomas já existente. Dessa forma, observa-se que a sociedade brasileira foi construída com a ideia de que há formas superiores de comunicação, ferindo a diversidade linguística presente no país.

É relevante abordar, primeiramente, que o modelo atual de educação está focado em disseminar apenas a norma culta da língua portuguesa, tornando a escola um local de exclusão, visto que a maioria dos educandos não têm contato direto com tais regras. De acordo com o linguista Marcos Bagno: “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social”, exemplificando o porquê do ensino restrito da gramática reforça o estereótipo de que o português é uma língua difícil e apenas alguns conseguem o entendimento pleno, assim, inferiorizando quem não se adéqua as regras.

É preciso, porém, reconhecer que a língua é influenciada por diversos fatores, como regional, etário e histórico. Logo, a linguagem é orgânica e está em constante transformação. Isso fica claro ao analisar suas mudanças de maneira diacrônica, causada pelos próprios falantes. Contudo, não se deve desconsiderar o ensino da gramática, já que é a base do idioma, mas sim compreender que o português é vasto e todas as duas variações devem ser consideradas.

Evidencia-se, portanto, que a variedade linguística do aluno deve ser valorizada e jamais excluída. É função da escola, através do Ministério da Educação, incluir a cultura popular em seu currículo, mediante inserção e demonstração das variantes linguísticas nas aulas de Português, Literatura e Artes, a fim de expandir o conhecimento dos alunos e integrar a realidade deles no cronograma escolar. Afinal, como dito pela escritora Helen Keller: “O resultado mais sublime da educação é a tolerância”.