Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2018

No poema “E agora, José?”, o escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade estabelece uma crítica à desigualdade e ao isolamento social na sociedade brasileira. Nos dias atuais, o preconceito linguístico se faz presente como consequência das anomias criticadas por Drummond. Nesse contexto, convém analisar as raízes históricas e sociais dessa problemática.

Em primeiro plano, vale salientar o julgamento depreciativo de uma língua variante sobre a outra como um resquício do etnocentrismo do processo colonizador. Pode-se compreender a aculturação indígena durante o período colonial como uma contribuinte para a discriminação linguística na sociedade contemporânea, haja vista que esse processo foi resultado do sentimento de superioridade da língua europeia para com as línguas nativas. É inadmissível que no século XXI ainda existam visões arcaicas sobre a forma de falar de um povo.

Ademais, faz-se relevante destacar a estratificação social como contribuinte com a intolerância linguística. É visível que pessoas em situação de vulnerabilidade social são as mais prejudicadas por essa problemática, já que são privadas de acesso à educação e a acervos culturais; dessa forma, adequam a língua à sua realidade. Pode-se perceber a partir disso que a discriminação de caráter linguístico é uma violação a liberdade de expressão, tendo em vista que tira o direito de fala de um grupo social.

É necessário, portanto, a erradicação dos efeitos dessa violência cultural na nação. Cabe ao Ministério da Educação, em consonância com o Ministério da Cultura, estimular a realização de palestras em instituições de ensino, as quais promovam discussões sobre a importância das variações linguísticas com a cultura e construção da identidade nacional. Espera-se com isso que as pessoas tenham o livre arbítrio de expressarem suas formas de falar sem imposição de uma norma-padrão. Você aceitou a solicitação de Eduarda. Digite uma mensagem…