Preconceito Linguístico
Enviada em 05/10/2018
A obra de Graciliano Ramos, Vidas Secas, explicita o sertanejo como um indivíduo socialmente atrasado e desprovido da oratória erudita. No Brasil, o preconceito linguístico, apresenta-se como uma ameaça à integridade nacional, visto que relaciona-se com a xenofobia regional e ao monopólio da norma culta padrão.
É incontestável que o território brasileiro possui dimensões continentais, o qual detém diversas regiões com culturas e variações dialéticas próprias. Entretanto, há práticas discriminatórias realizadas por cidadãos de áreas mais desenvolvidas economicamente contra as consideradas atrasadas socialmente. Exemplo disso, são os baianos taxados de preguiçosos, folgados e intelectualmente retardatários, apenas pelo sotaque expressivo e o comportamento pacato.
Outrossim, destaca-se a dificuldade das minorias regionais em se adaptarem à hegemonia da norma culta, pois a mesma ignora as particularidades linguísticas locais, fazendo-as migrarem para o idioma periférico e os falantes tornam-se estranhos à elite letrada. No entanto, segundo o sociólogo Mikhail Bakhtin, toda forma de diálogo é válida, desde que os ouvintes entendam-se mutuamente.
Portanto, tendo em vista os aspectos observados, é necessário que o Ministério da Justiça (MJ) aplique leis no código penal que busquem acionar multas justas aos praticantes de ofensas maliciosas, pretendendo reduzir o número de incidentes relacionados ao preconceito regional. Ademais, é interessante que o Ministério da Educação (MEC) introduza na grade curricular de sociologia do ensino médio disciplinas que enfoquem as consequências nefastas da segregação das minorias orais, visando formar cidadãos conscientes das diferenças, mas cientes da nação que representam.