Preconceito Linguístico
Enviada em 27/09/2018
Linguagem é conhecimento
Usado para simbolizar e representar o mundo, a linguagem possibilita que o conhecimento seja acessado e explorado. Com 207 milhões de habitantes e um território de proporções continentais, o Brasil é lusófono e apresenta mais de uma dezena de dialetos. Nesse contexto, o país dispõe de indivíduos tão diferentes entre si que as mesmas palavras podem ter diferentes significados.
A linguagem é um mecanismo criador de símbolos que proporcionou conquistas imensuráveis para a humanidade. Dar significado para sensações, objetos e fatos é característica da evolução do ser humano. Ludwig Wittgenstein resumiu isso em uma afirmação: “Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo.”.
Dessa forma, preconceito e intolerância existentes entre indivíduos de diferentes regiões do país impedem a miscigenação e a geração de novos significados e símbolos para sensações e fatos. Para piorar, a simplificação da linguagem, agravada pelas mídias sociais, contribui para a diminuição de representações e a consequente redução do pensamento.
Por meio do sistema público de ensino, o Brasil dispõe dos agentes capazes de universalizar e institucionalizar expressões e modos de ver o mundo distintos um do outro. Essa mistura de experiências, símbolos e significados de grupos diferentes possibilita o surgimento de uma linguagem ainda mais sofisticada, rica e abrangente.
Tendo em vista os aspectos observados, conclui-se que o principal afetado do preconceito linguístico é o conhecimento. Uma pequena reforma na disciplina de língua portuguesa, com separação de gramática e literatura, possibilitaria um aprimoramento no ensino das diferenças dialéticas e de significados em escolas de todo o país, o que evita a diminuição do pensamento crítico e cria bases para o aperfeiçoamento de trabalhos científicos e eruditos.