Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
Na trama de Graciliano Ramos ‘‘Vidas Secas’’, o autor retrata a vida de uma família pobre do sertão nordestino que enfrentam dificuldades sociais e econômicas.Fabiano, o ‘‘chefe’’ da família deixa ser enganado pelo patrão, já que não atende os requisitos do falar padrão. Assim como acontece na história, infelizmente muitos brasileiros ainda no século XXI sofrem constantemente com o preconceito linguístico.
Em primeiro lugar, é coerente dizer que a língua é o principal instrumento de comunicação e socialização do indivíduo.Além de ser uma característica que apresenta particularidades históricas, regionais, etárias e sociais, isto significa que está em constante transformação entre os falantes dependendo da classe social ou nível de escolaridade. Tal fato deve desconsiderar a norma culta escrita e suas regras, por exemplo as variantes do nordeste aonde persiste o preconceito. Dessa maneira, a gramática serve para manter o idioma e não para excluir as variações linguísticas.
É de fundamental importância que a existência de uma variante padrão pode desprestigiar as demais, produzindo o preconceito linguístico. Esse tipo de preconceito tem pouca discussão Brasil. Por causa nisto cresce ainda mais a desigualdade social no país. Por exemplo, como o sociólogo francês Pierre Bourdieu chama de ‘’língua legítima’’: as classes dominadas reconhecem a língua legítima, mas não a conhecem. Ou seja, elas sabem que existe um modo de falar que é considerado bonito, importante, mas elas ão tem acesso a ele.
Portanto, a língua é o principal fator da exclusão social e esse preconceito linguístico precisa ser admitido e combatido. Para efetivamente resolver esse problema a escola deveria organizar palestas mais aprofundadas sobre esse assunto, além de ensinar nas aulas de Língua Portuguesa, todas as variantes existentes da língua. A mídia deveria investir em campanhas publicitárias para desconstruir o preconceito. Só assim criaremos um Brasil menos intolerante.