Preconceito Linguístico

Enviada em 04/10/2018

Desde o iluminismo, evidenciou-se que a mobilização entre os indivíduos, em relação aos problemas enfrentados por cada um, promove o progresso social. Entretanto, quando se observa a discriminação da variação linguística, é constatado que os ideais iluministas não acontecem na prática. Nesse contexto, não há dúvidas de que o preconceito linguístico é um desafio no Brasil, o qual ocorre devido aos resquícios históricos, mas também pelo juízo de valor.

Convém ressaltar que, desde o seu descobrimento o Brasil vem sofrendo com imposição da língua portuguesa no processo de colonização, extinguindo a língua nativa. Segundo o linguista Marcos Bagno, o preconceito linguístico reside na diferenciação entre o que é falado e escrito, onde a gramática normativa é tida como correta, logo, é verificado que eleger uma linguagem como oficial acaba excluindo as outras variações, gerando a exclusão social por conta da exigência de se falar na forma padrão.

Outrossim, evidencia-se o juízo de valor como impulsionador para o problema. Consoante o sociólogo Pierre Bourdieu, as classes dominadas conhecem a norma culta, mas elas não a reconhecem. Desse modo, a classe dominante usa o seu conhecimento na língua normativa culta para poder se sobrepor e manter um referencial. Tal fato pode ser confirmado por meio do personagem em quadrinhos Cebolinha, da Turma da Mônica, na qual é sempre corrigido e ironizado quando fala de forma errada. Como resultado disso, o preconceito pode persistir, tornando-se difícil a inserção das pessoas fora do padrão na sociedade, uma vez que não há valorização da diversidade linguística.                  Mediante o exposto, fica claro que medidas são necessárias para resolver esse impasse. Portanto, o Ministério da Educação exigir o conhecimento das variações linguísticas nas escolas, por meio de aulas expositivas e pesquisas realizadas pelos alunos, que serão apresentados em saraus abertos ao público, em forma de teatro, música e literatura, a fim de promover a consciência da diacronia brasileira, consecutivamente, cessar com o preconceito. Ademais, cabe ao Poder Executivo elaborar e regulamentar leis que punam as pessoas que difamam o linguajar alheio, como exigir a participação destas em palestras educacionais sobre o assunto, com intuito de garantir a diminuição desse delito. Dessa forma, o preconceito linguístico será atenuado, fazendo valer os princípios iluministas.