Preconceito Linguístico

Enviada em 10/10/2018

A história do Brasil é marcada pela hierarquização cultural. Desde sua colonização, têm-se a imposição de costumes, religião, roupas e também da língua. Porém, o acesso à língua portuguesa no território brasileiro não teve caráter homogêneo. Com isso, criou-se uma diversidade linguística e surge com ela o preconceito aos diferentes usos da língua.

A educação precária para grande parte da população é um dos motivos para a disparidade linguística no país. As classes mais baixas têm pouco conhecimento da gramática, o que evidencia o desigual acesso a escolas de qualidade, já que os falantes da norma culta são aqueles que apresentam alto nível de escolaridade. Para Karl Marx, grupos dominantes definem os padrões a serem seguidos e escolhem quem são aqueles que terão acesso aos meios necessários para alcança-los. Com isso, cria-se a discriminação dos indivíduos a partir da língua relacionando-a a classe social, grau de instrução ou nível de renda.

Porém, é necessário lembrar-se que a norma culta nem sempre é necessária. Segundo Marcos Bagno, não existe forma certa ou errado de falar, mas sim diferentes situações comunicativas. Dessa forma, é visto que a língua se adequa ao ambiente, ou seja, entre amigos não é exigido o mesmo nível de formalidade que se usa em um tribunal. Portanto, é necessário que se tenha a consciência de que em cada local há uma forma de se comunicar diferente.

Desse modo, é necessário que o acesso a uma educação de qualidade seja a realidade de todos. Para isso, deve-se exigir do Estado professores capacitados e escolas preparadas para receber os alunos, por meio de manifestações, a fim de assegurar o aumento da escolaridade das classes mais baixas e a diminuição da desigualdade do nível educacional. Há, também, a necessidade de que professores, desde sua formação, estejam preparados para ensinar aos alunos as formas de adequar a linguagem a cada tipo de situação.