Preconceito Linguístico

Enviada em 02/10/2018

Na época do Brasil Colonial, o ministro Marquês de Pombal proibiu a utilização da língua geral e tornou obrigatório o uso do idioma português. A partir disso, o preconceito linguístico torna-se, nos dias atuais, como parte da conjuntura social. Dessa forma, é preciso analisar a imposição da norma culta como forma de opressão, além da negligência dos órgãos educacionais como influenciadores dessa problemática e adotar medidas para o seu devido combate.

Em primeira análise, pode-se considerar a valorização da norma padrão como instrumento de dominação. Nesse contexto, a primeira fase do Modernismo Brasileiro caracterizou-se com forte valorização das variedades linguísticas e apresentou uma nova concepção sobre o uso da linguagem. No entanto, apesar da importância dessa corrente literária, a norma culta é a variante que possui maior prestígio e é utilizada como recurso de poder e de ascensão social. Consequentemente, a diversidade linguística não tem sua devida relevância, o que leva a exclusão social e a desvalorização cultural das outras variedades da língua.

Em segunda análise, é importante pontuar o descaso dos órgãos educacionais de enfrentar o preconceito linguístico. Nesse sentido, o Ministério da Educação não prepara os professores, durante a formação desses profissionais, para lidar com as variedades linguísticas e apenas os capacitam para o ensino da norma padrão. Como resultado, o desrespeito é gerado pela intolerância ou ignorância das diferenças linguísticas existentes em um idioma por elas não serem ensinadas nos ambientes escolares. Em vista disso, de acordo com o autor Gilberto Freyre, os outros saberes são colocados como futilidades.

Com base nos fatos apresentados, infere-se que medidas devem ser aplicadas para diminuir os efeitos do preconceito linguístico. Portanto, o Ministério da Educação deve organizar projetos que discutam esse tema, como a criação da Semana da Variação Linguística a ser realizada nos ambientes escolares, a fim de permitir o debate e formar jovens que respeitem as variantes da língua. Ademais, o mesmo ministério deve capacitar professores, desde a formação universitária e com cursos extras para profissionais formados, com o intuito de que eles saibam lidar com a diversidade da língua e promover o conhecimento das variedades em sala de aula. Assim, essas medidas irão atenuar esse problema.