Preconceito Linguístico
Enviada em 27/09/2018
Segundo a primeira lei de Newton ou lei da Inércia, um corpo tem a tendência de continuar em seu estado natural, ou seja, em repouso, até que seja aplicada uma força superior sobre ele. Assim como na física, a população brasileira encontra-se estagnada diante do preconceito linguístico, que atinge de forma negativa milhares de brasileiros pela imposição de uma sociedade na qual se valoriza o modo como a língua deve ser falada. Neste contexto, é necessário refletir sobre alguns aspectos que se fazem relevantes, como a hierarquização da norma culta da Língua Portuguesa por quem a domina, como também a exclusão social por pessoas privilégiadas em questões econômicas e sociais.
De acordo com a escritora Helen Keller, o resultado mais sublime da educação é a tolerância. Logo, é possível perceber que vivemos em uma sociedade oposta ao supracitado, ou seja, intolerante às variações linguísticas, em que ocorre a hierarquização da norma culta por quem a domina, tirando, assim, o direito de fala de milhares de brasileiros que se exprimem em formas sem prestígio social, como afirma uma manchete da Revista Galileu. Ademais, temos os sotaques que se distinguem em todo o país como sendo alvo da descriminação, gerando, assim, a ideia de superioridade que acontece no teor do deboche e pode chegar a ocorrer vários tipos de violência, como física, verbal e psicológica, segundo o site TodaMáteria.
Além disso, temos a exclusão social por parte de pessoas privilégiadas em questões econômicas e sociais como impulsionador do problema. Uma vez que a sociedade impõe normas de falar como sendo ‘‘certa’’ ou ‘’errada’’, atuando como uma forma de preconceito, gerando a ideia que existe uma única língua correta baseada em uma norma gramatical, colaborando para a exclusão social para as pessoas que não atendem aos padrões, sendo denominados caipiras, como afirma o linguista e filósofo Marcos Bagno.
Infere-se, portanto, a necessidade de resolver esse impasse. Dessa forma, é necessário que a Constituição brasileira crie uma lei específica para combater esse tipo de preconceito, para que fique claro que qualquer pessoa pode procurar justiça quando for vítima da forma como se expressa, como também cabe a escola por além de ensinar a forma culta da língua, realizar palestras e debates sobre a necessidade de respeitar as diferentes formas de falar, bem como cabe ao Ministério da Educação por realizar campanhas, debates e diálogos em redes nacionais de televisão, redes sociais e rádios, por profissionais qualificados mostrando a necessidade do combate e do respeito para as pessoas que falam ‘’errado’’, para que todos possam entender que a língua é um todo em si, fazendo com que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria de Platão.