Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2018
Nick Couldry, em sua obra “porque a voz importa”, mostra que um dos principais problemas do mundo é a desigualdade da fala, segundo ele inúmeras vozes são calados e relegados a inexistência. Atualmente, o preconceito linguístico é vetor desse mal social que tem causas históricas e de uma educação incompleta e falha.
O contexto histórico de segregação e intolerância são as principais causas de haver preconceito linguístico. Isso acontece porque, no período de 1890 a 1940 com o abolicionismo e a urbanização ex escravos pobre foi segregado em cortiços, moradia simples. Assim, como o negro era um elemento marginalizado no tecido social , também a sua cultura e língua, atrelou-se a pobreza à marginalização. Desta forma, a sociedade incorporou ,conforme mostra Pierre Bourdieu na teoria “habitus”, a ideia de que existe uma forma errada de se expressar. Com isso, esse fato social dotado de coletividade e coercitividade ,de acordo com Durkheim, reprime formas linguísticas que vem de classe de renda mais baixa e sem acesso ao ensino culto e padronizado.
Além disso, outro fator relevante que contribuiu para a perpetuação do preconceito é uma educação não voltar da cidadania. Isso ocorre pois, no governo de Juscelino Kubitschek com o projeto tripé econômico precisava-se de mão de obra, deste modo, criou-se um modelo pedagógico voltado ao mercado de trabalho e carente críticas sociais e de ensinamento cidadão. Dessa maneira, com um ensino que passa boa parte do tempo fechado em uma sala para a assimilação de conteúdos e pouco envolvimento externo, será difícil que esse aluno entenda as variedades linguísticas e as aceite.
Portanto, torna-se evidente que a educação do brasileiro precisa ser ajustada para melhor preparar o aluno para a vida. Em razão disso, o Ministério da Educação em parceria com intelectuais e pedagogos devem aprovar uma reforma no ensino infantil, fundamental e médio. Essa reforma, deve incentivar a interdisciplinaridade no ensino e de variedades linguísticas, aumentar a carga horária extraclasse para que os alunos unam esse conteúdo ao mundo real. Outrossim, a Secretaria Municipal de Educação deve ir às escolas do bairro fiscalizar se as diretrizes da reforma estão sendo cumpridas, assim, os alunos de fato irão aceitar a diferença e diminuir os índices de intolerância e preconceito no país.