Preconceito Linguístico
Enviada em 30/09/2018
O Brasil desde que foi descoberto e passou a ser colonizado em 1530 sofre influências de diversas culturas.As línguas faladas no país, atualmente, são compostas de um misto de influências étnico-raciais, que sofreram diversas variações ao longo dos anos. Por esse motivo,o preconceito linguístico é constante. Portanto, é necessário o debate entre Estado e sociedade, a fim de que este seja minimizado.
Em 1826,no país, foi declarada a oficialidade da Língua Portuguesa, consolidando o eurocentrismo e o preconceito linguístico, visto que grande parte dos nativos tinham como língua geral o Nheengatu.As dificuldades enfrentadas pelos nativos, sobretudo no nível fonético, fez com que a língua oficial sofresse ainda mais variações e preconceitos. Sobre esse viés, se consolida a frase do sociólogo Max Weinreich que diz que a língua é um dialeto com exército e marinha, destacando o caráter de dominação.
Atualmente, com a decadência educacional vivenciada por milhões de brasileiros em decorrência da má gestão dos recursos públicos, é comum que haja confusão entre as normas padrão e culta . A primeira diz respeito à tentativa de tornar una e imutável a Língua Portuguesa brasileira e a segunda é sobre àquela falada pelas classes sociais mais valorizadas e que sofre variações históricas, geográficas, sociais e situacionais. O maior erro, segundo o linguista Marcos Bagno é acreditar que há em fale errado, visto que as variantes também fazem parte das línguas existentes no Brasil e no mundo.
Além disso, A Constituição brasileira de 1988 afirma que todos os indivíduos são iguais perante a lei, mas essa mesma lei é escrita numa língua que poucas pessoas têm acesso, explicando os inúmeros motivos que levam a intolerância nas formas de expressão fonético-lexical.
Fica evidente, portanto,a inexistência de diálogo entre Estado e sociedade. Cabe aos Ministérios da Educação e Cultura a divulgação e a criação de campanhas que informem as pessoas da existência de variantes linguísticas e a importância delas como identidade e expressão de um povo, através de tirinhas e recursos visuais. Estas devem ser publicadas na internet e fixadas nos transportes públicos , estimulando, com isso, a inexistência de preconceitos linguísticos , e a valorização da miscigenação brasileira. Assim, a ideia de Paulo Freire que diz que se a educação não muda a sociedade, sem ela , a sociedade tampouco muda, fará cada vez mais sentido no país.