Preconceito Linguístico

Enviada em 18/10/2018

O domínio da linguagem foi essencial para a evolução da espécie humana e da sociedade formada por esta. Porém, com o passar do tempo, a linguagem foi deixando de ser estritamente um meio de transmitir uma mensagem e passou a aderir um caráter distintivo e até mesmo segregacionista, impulsionando a prática do preconceito linguístico. Faz-se necessário entender suas origens e seus impactos para que a sociedade possa superá-lo.

Em primeiro lugar, é necessário destacar que, no caso de um país tão extenso em território e cultura como o Brasil, o recorte considerado como norma culta não representa as inúmeras variações da língua portuguesa. Isso, porque, a língua é modificada a todo tempo pelos próprios falantes; por meio de gírias, regionalismos e até “desvios da norma padrão”, que demonstram as diferenças que o território brasileiro possui em nível cultural, social e até mesmo educacional. Um exemplo disso são os constantes ataques a nordestinos e nortistas, que possuem um vocabulário diferente do Sudeste, que é considerado mais correto que os demais.

Entretanto, apesar do Brasil ser um país plural, há aqueles que fazem da língua um fator de distinção e dominação, excluindo aqueles que não fazem uso da norma padrão. Deste modo, no contexto social, muitos acabam sendo excluídos, menosprezados e até ridicularizados por conta de seus regionalismos, gírias e “desvios” fazendo com que este se torne um problema muito além da linguística e sim um problema social: a intolerância, que, segundo o filósofo francês Voltaire, vem da incapacidade do ser humano de respeitar aqueles que não seguem aquilo que estes consideram ideal.

Portanto fica claro que, assim como todas as outras intolerâncias, o preconceito linguístico é maléfico e deve ser combatido a todo o custo. Para tal, faz-se necessário um esforço conjunto entre Estado, mídia e sociedade. Em primeiro lugar a mídia deve atuar à curto prazo, mostrando a sociedade, através de mídia engajada, que existem diversas variantes da língua e que todas elas devem ser respeitadas. À posteriori, o Estado, na figura do Ministério da Educação, deve propor uma mudança n currículo de linguagens que passe a englobar as riquezas do território nacional e que mostre aos alunos, os futuros cidadãos do país, que a norma culta, apesar de importante para o funcionamento da língua, não deve ser fator de distinção ou segregação.