Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2018

No século XIX o Parnasianismo crescia no cenário mundial, trazendo consigo a “arte pela arte”, que negava qualquer erro e, assim, buscava o caminho da perfeição para os esplendidos poemas. Um século após o movimento, Graciliano Ramos cria em sua obra Vidas Secas o Fabiano, o qual era personagem da fala simples e escrita precária, Entretanto, os “Fabianos” da atualidade são reprimidos cada vez mais pela perfeição imposta na língua regente. Diante do exposto, não há dúvidas de que o combate ao preconceito linguístico é um caminho árduo a se trilhar, e este perpassa por uma educação negligenciada.

A princípio, a miscigenação cultural trouxe para a sociedade hodierna variados linguajares, a qual carregam consigo a cultura de cada região brasileira, que caminha lado a lado com a norma culta padrão, isto é, falares como “oxe” até o “mano” incrementam a língua portuguesa. No entanto, nas séries de alfabetização escolar impõe a crença que apenas uma forma de falar é a correta. Tal fato, induz a coercitividade do ser humano, assim como afirma o sociólogo Durkheim. Logo, cria uma geração de jovens rompendo com suas raízes históricas e, infelizmente, aprendendo que há apenas uma única forma correta e, assim, induzindo ao preconceito linguístico.

Ademais, é indispensável salientar que a educação negligencia muitos brasileiros que possuem a formação educacional mal estruturada, mesmo com a Constituição Federal de 1988 afirmando que todos devem usufruir de uma educação de qualidade. Essas identidades desoladas tornam-se vítimas do preconceito por possuírem a fala ou até mesmo a escrita considerados erronias, pois segundo a óptica do social é rudimentar o indivíduo que não consegue seguir a risca a norma da língua portuguesa.

Diante dos argumentos supracitados, para que o combate ao preconceito linguístico seja eficiente é necessário que o Ministério da Educação insira no plano de ensino profissionais capacitados, através de vagas contratuais ou concursos, os quais aprenderam sobre a variedade linguística  e, assim, aplicarem em aulas sobre as gírias de cada região, para que os alunos sejam instruídos a perpetuarem suas culturas e o permanecimento do respeito ao próximo. O governo Federal também possui um papel muito importante, o qual deve ampliar o número de vagas para o ENCCEJA, através da ampliação dessa política afirmativa em regiões que não possuem muito acesso a o benefício, os quais darão aulas da língua portuguesa com professores especializados na área, tudo com o intuito de diminuir o número de “Fabianos” no Brasil

.