Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2018
Em 1955, João Cabral de Melo Neto escreveu “Morte e vida Severina” objetivando promover a valorização dos falares regionais e sociais marginalizados na sociedade da época. Entretanto, mesmo depois de décadas, o objetivo do escritor modernista ainda se mostra distante, visto que, o preconceito linguístico se perpetua e representa grande problema a ser desconstruido pelos cidadãos e pelo Estado.
Em primeiro plano, o preconceito linguístico abre espaço para o preconceito social. Nesse sentido, o sociólogo Pierre Bourdieu, exemplifica a relação de dominação e ascensão social por meio da língua padrão instituída pela classe economicamente dominante. Esse fenômeno decorre da necessidade de exclusão social da população sem acesso a educação, que reconhece a língua valorizada, mas não a conhece. Assim, segregando e demarcando o papel de cada indivíduo na sociedade.
De outra parte, os novos meios de comunicação possibilitam a hostilidade entre as variantes. A esse respeito, a possibilidade de contato entre diferentes grupos e suas expressões verbais, torna a internet um campo fértil para discussões sobre a adequação regional, social e etária nesse espaço. Dessa forma, tais meios resultam na ofensa ao diferente sem o entendimento da pluralidade linguística, dividindo a sociedade na analogia da típica discussão do “biscoito ou bolacha”.
Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico é um problema atemporal, sendo marcado pela repressão da normatização sobre o dinamismo da língua. Dessa forma, é necessária a ação do Ministério da Educação e Cultura (MEC) no incentivo ao entendimento dos diferentes dialetos por meio de debate nas escolas, visando desconstruir uma visão negativa sobre tal pluralidade. Ademais, o Ministério Público pode garantir a denuncia contra atitudes que menosprezem o direito de expressão, por intermédio de ações judiciais. Procedendo, assim, em uma sociedade igualitária no entendimento da diversidade cultural.