Preconceito Linguístico

Enviada em 18/10/2018

A novela da emissora rede globo: ’’ O tempo não para’’ retrata a história de uma família do século 19, que após sofrer um congelamento desperta nos dias atuais. Um dos problemas enfrentados, é a compreensão e adaptação á forma comunicativa usada atualmente, resultando em uma certa intolerância advinda da mesma. A obra fictícia aborda um estigma social, a variação linguística e a preconceito sofrido por ela. Esse prejulgamento é acarretado pela ausência de conhecimento das variedades linguísticas e a representação midiática errônea dos usuários. Resultando em uma exclusão e opressão social aos indivíduos que não seguem o padrão linguístico visto como correto.

O movimento literário modernista, visava o uso da linguagem coloquial e das variações linguísticas como forma de exaltar o nacionalismo. Entretanto, a concepção atual da população sobre a pluralidade do  dialeto nacional se encontra precária, por conta  do  ignoto das variáveis. A insipiência de tal fator, tem como frutos a hostilidade e depreciação entre indivíduos de regiões e classes sociais diferentes, que tem por certo a sua forma comunicativa. Analogamente ao observado pelo rapper, cantor e compositor brasileiro Emicida, a norma culta que rege a escrita acaba servindo como instrumento de exclusão e opressão social.

De conformidade com o prejulgamento social, a mídia tem contribuído com a disseminação da rejeição  às diferentes modalidades linguísticas, ao marginalizar os cidadãos que as usufruem. Segundo o linguista Marcos Bagno, o conhecimento da gramática normativa é usado como instrumento de distinção e dominação pela população culta. Tal fato, é observado na representação indigna dos nordestinos, que são vistos como incultos e grotescos devido ao seu jargão.

Em suma, o preconceito linguístico advém da falta de conhecimento sobre a língua e sua  mutabilidade, aliado a incorreta representação dos cidadãos que a possuem. Diante disso, faz-se necessário a inclusão por parte do Ministério da educação, do ensino da língua e suas distintas formas expressivas por meio de aulas específicas nas escolas públicas e privadas, visando a quebra do estigma criado. Outrossim, é imprescindível a atuação dos meios de comunicação como televisão, jornal e internet na abertura a debates sobre o tema  em programas de alcance nacional,  a fim de tornar acessível o conhecimento sobre esse assunto.Assim sendo, a participação do Ministério da educação e dos meios de comunicação é essencial para que essas metas sejam compridas.