Preconceito Linguístico

Enviada em 01/10/2018

A partir da chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, a língua foi usada como objeto de discriminação e domínio para com os povos nativos. Mais de 500 anos depois, a linguagem contínua sendo uma arma de exclusão social e marginalização . Nesse sentido, é necessário combater as causas do preconceito linguístico em nossa sociedade.

Primordialmente, um das origens desse tipo de intolerância é a descriminação social, pois ,em nossa cultura,há  uma associação entre o modo de falar e a classe social pertencente. Essa é uma herança histórica- cultural deixada pelos europeus, na carta do cronista português Pedro Gândavo ao rei de Portugal em 1576, a sua observação sobre a ausência das letras F,L,R no idioma dos índigenas foi um fator determinante para que eles interpretassem que os povos nativos não eram desenvolvidos . Tal fato ,no contexto atual, ainda é visto em nossa nação pelos inúmeros casos de preconceito linguístico , é inaceitável que isso ainda seja uma realidade.

Além disso, um dos motivos para a ocorrência desse tipo de caso de violência verbal é o distanciamento da norma culta da língua ensinada nas escolas e aos dialetos vistos  no cotidiano.Assim, aqueles que tem baixa escolaridade são os mais afetadados pela elitização da língua, precisamos, conforme a filósofa Brasileira Viviane Mosé, produzir uma educação viva e contemporânea, pois, é a variedade linguística que torna a língua dinâmica, portanto, reconhecer que a gramática é um padrão construído e não a única forma de se comunicar é um caminho para tornar as variantes linguísticas fundamentais para a construção da nossa cultura.

Desse modo, para que o preconceito linguístico não seja mais um problema social , o governo federal deve, através do Ministério da Educação, implementar em escolas públicas e privadas  uma abordagem mais aprofundada sobre esse tema , com palestras e debates, com a presença de diversas pessoas e seus dialetos ressaltando a relação da língua e a formação de um identidade cultural, a fim de tornar o nosso idioma vivo e igualitário.