Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2018

Na obra “Quarto de despejo” de Maria Carolina de Jesus, uma catadora de papéis, semi-analfabeta, negra e pobre, é relatado seu cotidiano na favela e as mazelas lá vividas. Após anos, Maria é descoberta e torna-se uma celebre e renomada escritora. No entanto, apesar de sua escrita informal e seus erros gramaticas, a sociedade reconheceu seu grandioso trabalho. Infelizmente, hoje no Brasil ocorre um certo preconceito com a variedade linguísticas de diferentes regiões. Assim fazendo com que os casos de bullyng nas escolas e as discriminações sociais aumentem.

É indubitável que as questões educacionais e suas aplicações estejam entre as causas dessa problemática. Como o Brasil é um país de grande extensão territorial, somam-se diversas culturas locais que influenciam no léxico e na fala regional de seus estados. Todavia, ainda que tais situações sejam comuns, muitos indivíduos são discriminados por suas singularidades ao se expressarem. Não raro, esses brasileiros sofrem “bullying” dentro das escolas, espaços onde a empatia e a elucidação deveriam se fazer presentes. Assim sendo, o papel dos professores é fundamental, por meio de dinâmicas em grupo, para trabalhar a inclusão e aceitação entre os estudantes.

Outrossim, destaca-se a alienação da população em frente a essa questão como impulsionadora do  crescimento de casos de descriminações sociais. O fato de considerar a existência de um padrão linguístico é negar a multiculturalidade do Brasil, além disso, enaltece os dotados da língua culta em detrimento dos que não tiveram acesso a educação de qualidade ou até mesmo daqueles que cresceram em meio ao coloquialismo e sotaques regionais. É importante frisar que a forma que uma pessoa se expressa, não está diretamente relacionada com a classe da mesma, pois a língua é mutável, e varia conforme a situação em que ele será empregada, um exemplo é a diferença entre uma entrevista de emprego e uma conversa normal entre amigos.

Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico é a mola propulsora da exclusão social, com isso urge a necessidade de acabar com essa prática. Primeiramente, as escolas devem trazer conteúdos aos alunos de forma que eles vivenciem a gramática na prática e não somente na teoria. Além disso, o governo deve fiscalizar as ações dos programas de televisão e das novelas, coibindo o preconceito através de multas e proibições de comerciais que afetem o direito de expressão, do mesmo modo, deve investir em campanhas publicitárias por meios das mídias em canais abertos no intuito de desconstruir a discriminação da linguagem, assim fazendo com que todos convivam em harmonia, sem serem discriminados pelo modo de falar, podendo então ser uma sociedade mais acolhedora e respeitosa, como o caso de Maria de Jesus.