Preconceito Linguístico
Enviada em 24/10/2018
Segundo a Geografia, o Estado-nação é um território composto por cidadãos de única etnia que compartilham o mesmo idioma. O Brasil, porém, é um país multicultural e isso se evidencia nos diversos dialetos, sotaques e línguas pronunciados ao longo das cinco regiões. Nesse cenário, são comuns as expressões da xenofobia interna por meio do preconceito linguístico e, por essa razão, torna-se fundamental estudar a construção da língua portuguesa, mas também avaliar os impactos negativos que a discriminação provoca na integração nacional.
É determinante, em abordagem inicial, compreender que o idioma falado atualmente foi instituído de maneira autoritária. Nota-se que, por volta do ano de 1530, os jesuítas migraram para o Brasil em nome da expansão do cristianismo e, com a finalidade de catequizar os índios, eles criaram a “Língua Geral”, uma variante do tupi. Contudo, o ensino desse idioma foi interrompido durante o governo do Marquês de Pombal, que expulsou os missionários, proibiu a comunicação pela “Língua Geral” e, por fim, estabeleceu o idioma português, completamente distante das línguas nativas, como oficial na colônia. Portanto, conclui-se que, ao longo da história, a maneira “correta” de falar sempre foi imposta pelos grupos dominantes, assim como acontece hoje.
Outra questão pontual a ser analisada é a colaboração da mídia para a permanência do preconceito linguístico. Vê-se, pois, que as novelas ou seriados ambientados na região nordeste do país, muitas vezes, representam a população local como atrasada e rústica por meio da imitação grotesca do sotaque nordestino. Essa expressão fictícia tem a intenção de provocar humor no telespectador, porém, ela estimula a xenofobia interna entre a população, isto é, a intolerância contra o sotaque e a cultura de um povo. Nesse contexto, os brasileiros que assistem diariamente aos programas de televisão mencionados tendem a enxergar os nordestinos como indivíduos ignorantes ou dignos do escárnio. Logo, é inegável a influência da mídia sobre a manutenção da discriminação linguística e regional.
Diante dos argumentos apresentados, salienta-se que a língua, ao invés de promover a identidade nacional, pode incitar a segregação regional no país. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação, por meio da ampliação das aulas de Sociologia na grade curricular, ensinar aos alunos os conceitos de tolerância e cidadania, com o objetivo de estimulá-los a respeitar as diferentes culturas locais e, assim, combater o preconceito linguístico de procedência regional. Ademais, é fundamental que as aulas de Língua Portuguesa ensinem a gramática normativa, mas também, destaquem a legitimidade das variedades linguísticas. Por meio dessas medidas, os diversos dialetos, sotaques e línguas serão respeitados pela população.