Preconceito Linguístico
Enviada em 08/09/2018
Na obra O Mito da Caverna, Platão mostra que a teoria do conhecimento, educação e senso crítico é fundamental para a construção do Estado ideal. Contudo, quando se observa a discriminação linguística, nota-se que o raciocínio do filósofo grego não se encontra presente na sociedade brasileira, seja pela escola, seja pela herança sociocultural.
A educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Entretanto, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na intolerância linguística. De acordo com uma pesquisa feita pelo site Monografias com alunos do 7 ano, 30% afirma que já sofreu algum tipo de preconceito pelo seu jeito de falar, logo se verifica que a valorização da língua padrão causa a discriminação linguística.
Ademais, destaca-se a herança sociocultural como impulsionador do preconceito linguístico. Isso decorre da transmissão entre gerações à ideia de melhor ou pior em relação às variantes linguísticas das regiões brasileiras, tal fato pode ser evidenciado na internet, tendo como exemplo o caso do mecânico José Mauro de Oliveira Lima - foi zombado por um médico nas mídias sociais após perguntar sobre o tratamento para “peleumonia”. Diante disso, constata-se que uma mudança nos valores das pessoas seria essencial para desenraizar um dos causadores da discriminação linguística, a herança sociocultural.
Torna-se evidente, portanto, que a discriminação linguística é fruto da escola em conjunto com a herança sociocultural. Sendo assim, o Ministério da Educação deve criar um projeto para ser desenvolvido nas instituições educacionais o qual promova palestras, depoimentos e charges de caráter crítico a respeito do cotidiano das pessoas que sofrem ou já foram vítimas do preconceito linguístico. Além disso, ONG’s deve dedicar-se a elaboração de projetos sociais a fim de combater a persistência da intolerância linguística, como o amparo a vítimas desse problema, construindo-se, então, um Estado ideal, conforme dito por Platão.