Preconceito Linguístico
Enviada em 07/09/2018
Preconceito que cala
Na Pré-História, o surgimento da escrita marca a passagem para a Idade Antiga. Dessa forma, fica explícita a importância de uma língua e sua escrita na construção de uma civilização. O idioma sempre foi uma marca cultural de determinado povo, contudo, com o passar dos anos, pode divergir e surgir variações. No Brasil, devido à grande extensão territorial, a Língua Portuguesa, oralmente, assume diversas formas, o que demonstra a riqueza cultural brasileira. Entretanto, seja por ter preestabelecida uma norma culta, seja pela falta de consciência sobre preconceito linguístico, muitas pessoas são discriminadas diariamente por não utilizarem o padrão da gramática.
Convém ressaltar, a princípio, que, embora todos os brasileiros sejam falantes da Língua Portuguesa, ela apresenta diversas variações, interligadas a contextos históricos, sociais, etários e regionais. Marcos Bagno, pesquisador e mestre em letras pela Universidade Federal de Pernambuco, afirma que o conhecimento da gramática normativa tem sido usado como um instrumento de distinção e de dominação pela população culta. De maneira análoga, percebe-se que, apoiados na norma gramatical, muitos indivíduos, principalmente membros das elites sociais, discriminam outros pelos “erros” de português. Tendo em vista o pensamento do pesquisador, para construir uma sociedade tolerante, urge a necessidade de exigir que as diversidades linguísticas sejam respeitadas e valorizadas.
Ademais, a inexistência de campanhas que ressaltem os impactos do preconceito linguístico corrobora para a persistência desse impasse. Pouco comentado nas mídias e noticiários, essa discriminação não é lembrada, logo, atua como agravante da exclusão social, visto que a língua está diretamente ligada à estrutura e aos valores da sociedade, relacionados, principalmente, com o acesso à educação. Diante disso, as massas excluídas acabam desenvolvendo problemas de sociabilidade, por se considerarem semianalfabetos. É indispensável intervir nesse problema para garantir o bem-estar social para todos os indivíduos.
Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas que visem ao combate do preconceito linguístico. As instituições de ensino, orientadas pelo Ministério da Educação, devem intensificar o uso da Literatura, utilizando personagens como o Cebolinha, criado pelo escritor Mauricio de Sousa, para romper com essa discriminação desde a tenra idade. Além disso, o governo pode requerer da mídia que essa ressalta os impactos da discriminação linguística, por meio de campanhas e comerciais, informando, também, que essa é uma forma de preconceito social. Assim, construir-se-á um país tolerante diante da diversidade linguística, onde o preconceito não silenciará nenhum indivíduo.