Preconceito Linguístico
Enviada em 07/09/2018
No notável Movimento Modernista de 1922, havia a necessidade de quebrar influências com a arte tradicional e padronizada e por isso produzir algo genuinamente diferente. No entanto, ao julgar para a realidade brasileira, essa concepção é deturpada no fator linguístico, uma vez que é extremamente discriminante. Isso se deve, tanto pelo caráter social dos falantes, quanto pela intransigência normativa da língua que subsidiam o preconceito.
Em primeira instância, convém destacar o contexto social que é égide da intolerância linguística. De acordo com Marcos Bagno, o preconceito linguístico é, sobretudo, social. Isto é, a própria condição dos falantes fora marcada, por exemplo, pela exclusão e pelo racismo. Isso porque, historicamente, muitos idiomas nacionais foram implantados oficialmente de maneira violenta em detrimento aos dialetos desses. Assim, ao serem inferiorizados e consequentemente marginalizados foram estigmatizados pela sociedade em função de sua língua.
Por outro lado, a própria visão da gramática normativa agrava esse quadro. Segundo o filósofo Nitzsche em sua Teoria do Super Homem, o ser superior seria aquele capaz de libertar-se das amarras sociais de seu tempo. No entanto, o homem hodierno vai contra essa lógica, uma vez que os gramáticos conversadores desconhecem as variações linguísticas brasileiras e impõem a norma escrita à fala. Essa concepção ainda é enfatizada pela dominação política da língua de classes ditas dominantes. Um exemplo nítido que ilustra isso, foi o caso das potências coloniais Portugal e Espanha que se empenharam sistematicamente em impor suas línguas.
Infere-se, portanto, que a questão do preconceito linguístico é laboriosa em questão no Brasil. Por isso, é necessário que o Ministério da Cultura em parceria com as escolas fomentem a democratização linguística, através da impressão e divulgação, empregando as variações da língua a fim de combater o preconceito entre estudantes e acadêmicos. Ademais, é basilar que a mídia promova, por meio de ficções engajadas e seu alcance propagandístico, a riqueza cultural da língua brasileira para incutir o respeito mútuo entre os cidadãos e seus dialetos. Só assim, poder-se-á verificar um orgulho nacional expresso em empatia no tocante à diversidade linguística.