Preconceito Linguístico
Enviada em 07/09/2018
Luz à diversidade
Em uma das vertentes do Iluminismo — movimento revolucionário do século XVIII — ficou previsto que o futuro seria caracterizado pela plena autonomia intelectual e liberdade de expressão face aos avanços em âmbitos ideológicos. Entretanto, atualmente, a vigência do preconceito linguístico no Brasil opõe-se às premissas propostas no século das luzes. Urge, portanto, analisar a problemática em consonância aos agentes sociais envolvidos.
Sob esse viés, é de suma importância frisar que a intolerância frente à diversidade de dialetos, principalmente no Brasil, têm cunho diverso: ora pela ignorância de reconhecer a intensa variação regional, ora pelo desconhecimento de questões históricas marcadas pela miscigenação de etnias. Prova disso, é a intensificação da xenofobia nas metrópoles, que resulta na hierarquização de uma população sob outra. Diante disso, evidencia-se que tal etnocentrismo abala à democracia e há necessidade de rearranjar os padrões presentes.
Outrossim, o preconceito também é fruto da falta de orientação sobre a desigualdade socioeconômica presente em todo território atual, visto que o nível de escolaridade está altamente atrelado à formação intelectiva dos cidadãos. Isso se evidencia pela diversificação de meios acadêmicos, como a linguagem médica ou judicial, que não é amplamente compreendida por todos as classes. Ademais, tais fatos supracitados podem ser explicados pela ‘‘Teoria da Modernidade Líquida’’ do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que materializa o individualismo, junto a falta de empatia, como fator participativo na pós-modernidade.
Cabe ressaltar ainda, que as consequências provindas da opressão, acerca da diferença de manifestação linguística, podem ser irreversíveis, como danos psicológicos, isolamento social e suicídio. Além disso, a problemática tende a se intensificar, uma vez que ainda não há medidas governamentais consistentes que visam a diminuir a descriminação diacrônica a curto prazo. Assim, torna-se muito relevante a interferência de órgãos governamentais na causa.
Em síntese, indubitavelmente, o Ministério da Educação deve desde os primeiros anos escolares afirmar os valores éticos e a tamanha diversidade cultural do país às crianças, por meio de atividades lúdicas e extracurriculares, a fim de construir cidadãos mais transigentes. Ainda assim, o Ministério da Cultura deve intervir em meios midiáticos influenciando a gradual participação de variadas etnias em programas televisivos, a fim de ampliar a diversidade. Tais medidas seriam importantes pois atenuariam o preconceito linguístico, flexibilizariam a diversidade cultural e daria luz a uma perspectiva iluminista.