Preconceito Linguístico

Enviada em 06/09/2018

A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como objetivo fundamental construir uma sociedade assegurada de desigualdades. Contudo, o preconceito intrínseco às variedades linguísticas impedem que parcelas dos brasileiros experimente, na prática, o seu livre direito democrático. Portanto, torna-se válido analisar os principais efeitos dessa problemática pungente na sociedade.

De início, notam-se razões históricas para o preconceito com o diferente. Quanto a essa questão, durante a colonização portuguesa foram reprimidos mais de 1078 idiomas falados pelos nativos em detrimento de pressões políticas e não aceitação de suas culturas. Com efeito, por ser tão incentivado no Brasil, a desvalorização das demais línguas tornou-se um legado ainda notório na sociedade contemporânea. Consequência disso são recorrentes casos de bullying e humilhação contra a norma não padrão da língua portuguesa, a exemplo de um médico, em 2016, que debochou de uma paciente por não saber como falar corretamente algumas palavras em sua consulta. Assim, é nítido que essa questão deve ser enfrentada de forma mais organizada no âmbito nacional.

Ainda convém lembrar que as pessoas padronizam o uso da língua impondo o que é certo e errado ou que falam melhor que o outro. A respeito disso, a Constituição Brasileira estabelece que ninguém será submetido a tortura nem tratamento desumano ou degradante. Nesse sentido, os indivíduos passam por torturas morais e se sentem marginalizados ou até mesmo adquirindo distúrbios psicológicos. Infelizmente não se fala sobre esse mal e os cidadãos não percebem a multiculturalidade de cada região. Todavia, enquanto o preconceito pelo modo de falar prevalecer, o brasileiro será submetido a conviver diariamente com um dos principais problemas atuais: a intolerância linguística.       Por fim, para que os preceitos Constitucionais Democráticos sejam, de fato, assegurados na prática, o Governo Federal deve incentivar uma leitura diversificada em escolas, por meio de capacitações de professores e com livros didáticos que mostrem a riqueza da variedade de cada Estado brasileiro. Essa diligência deverá ter um acompanhamento midiático, o qual mostrará que todas as formas de falar são válidas e têm valor nos grupos ou na comunidade em que são usadas. Desse modo, o problema do preconceito linguístico será minimizado e será formada uma sociedade mais cidadã