Preconceito Linguístico

Enviada em 06/09/2018

A grande diversidade de culturas e grupos sociais apresentam, através da fala, variedades linguísticas que não constam na gramática normativa. Entretanto, julgar como certo ou errado é incabível, ato cujos princípios são: desconsiderar a formação cultural de um grupo, e também do processo de metamorfose da língua e da gramática, devido ao carácter plástico de ambos.

Sendo assim, é possível perceber tal supressão cultural na carta redigida por Pero Magalhães de Gângavo, na qual se referia ao Tupi, ’’ A língua que usam … carece de três letras, não se acha nela F, nem L, nem R, porque assim não tem fé, nem lei, nem rei, e desta maneira vivem desordenadamente’’. A carta redigida pelo português, demonstra uma inferiorização da cultura indígena julgando-os desordenados, da mesma forma, muitos julgam àqueles que não falam de acordo com o considerado padrão.

Além disso, a língua, assim como a gramática normativa, não é fixa, ela adquire uma característica líquida. De acordo com Zygmunt Bauman, a liquidez da sociedade compreende a tendência de tomar uma forma que não é constante, e se adapta às condições. A teoria do sociólogo, no caso das variedades linguísticas, indica que no decorrer da vida, diversas mudanças ocorrerão, cujas serão responsáveis por modelar nossas características, como a fala, o pensamento e o comportamento. Há de convir, também, que os indivíduos determinados pela regionalidade, costumes e cultura diferentes sofrerão mudanças divergentes.

Logo, é perceptível que julgar as variedades linguísticas é desrespeitar as heranças culturais e o processo de formação dessa cultura. Por isso, é dever das instituições educativas intensificar a abordagem do tema das variedades linguísticas culturais, sociais e regionais, mediante projetos e palestras, com o fito de fazer crianças e adolescentes interagirem com quem já sofreu esse preconceito. Ademais, a mídia precisa divulgar mais  as variedades não padrão, com o objetivo de familiarizá-las e respeitá-las