Preconceito Linguístico

Enviada em 28/09/2018

Em 1955, na obra “Morte e vida severina”, João Cabral de Melo Neto propôs a valorização dos marginalizados dialetos típicos da região nordeste. Até hoje, entretanto, o preconceito linguístico para com os que não seguem a norma culta é recorrente em programas televisivos e no cotidiano da maioria das maioria das pessoas, precisando, portanto, ser desconstruído.

A priori, na antiguidade clássica, os povos intitulados bárbaros eram sociedades que não compartilhavam da cultura romana e, principalmente, da sua língua. Hoje, o termo significa: pessoa não civilizada. Análogo a isso, a imposição da norma culta como padrão torna as variantes da língua provenientes das civilizações, portuguesa, alemã e africana pela escravidão, como erradas apesar de ser fruto de um sincretismo cultural. Tornando “bárbaros” os indivíduos que possuem um falar popular repleto de dialetos e sotaque. Assim, é incoerente que, mesmo sendo multicultural, o Brasil mantenha esse preconceito vivo.

Ademais, em análise profunda, à medida em que a norma culta é fixada como ideal para todos, uma parte da sociedade é segregada. Nesse contexto, o filósofo Karl Marx afirmava que a mídia alienava a sociedade veiculando os interesses das classes dominantes. Como neste caso, a influência midiática se dá em programas de humor quando a presença de personagens caipiras e nordestinos, usando-se do desvio da norma culta, são usados para atrelar estes esteriótipos à ignorância, atestando, assim, que o preconceito linguístico exclui e massifica a desigualdade social.

Fica claro, portanto, que a língua é um fator de exclusão social. Logo, cabe ao Ministério da Educação, por meio de secretarias municipais, fomentar, nas aulas de português, debates sobre o tema e que, ao final, os professorem problematizem o preconceito linguístico e promovam a valorização das variantes da língua como herança histórico-social, a fim de conscientizar as crianças. Aliado a isso, a mídia, para alcançar a sociedade, deve parar de impor estereótipos na fala dos personagens e, sim, investir em campanhas contra a discriminação linguística vigente.