Preconceito Linguístico

Enviada em 06/09/2018

De acordo com o ilustre poeta Patativa do Assaré, “É melhor escrever errado a coisa certa, do que escrever certo a coisa errada”. Desse modo, as diversas variantes linguísticas do país são descriminadas e julgadas como um “erro” por profissionais e cidadães gramaticalmente intolerantes ao acervo oral da nação verde e amarela. Diante dessa nociva realidade, a falta de empatia social atrelada as lamentáveis relações opressoras da população, contribuem para a perpetuação da problemática desde o descobrimento do Brasil.

Sobe essa perspectiva, a pluralidade cultural brasileira é um aspecto relevante para abordar a diversidade dos falantes e da fala nas heterogenias regiões da pátria. Entretanto, a norma culta da língua portuguesa elimina expressões como “oxente” e “Égua” do vocabulário gramaticalmente aceito, pois desde o período colonial os portugueses exterminam  a fala de origem nacional em detrimento de palavras consideradas “corretas”. Dessa forma, as relações comunicativas entre os indivíduos no âmbito hodierno , são marcadas pelo uso da língua como um fator de opressão e diferenciação das classes sociais e econômicas como elencou Michel Foucalt em microfísica do poder.

Ademais, é de elementar importância salientar a falta de educação e aceitação dos falantes  nacionais para com as múltiplas expressões e falas dos diferentes estados brasileiros. Dessa maneira, o etnocentrismo linguístico está entrelaçado ao individualismo das pessoas que vivem na hipermodernidade, conforme as idéias do filósofo Zygmun Bauman, logo, a gama de dialetos e sotaques locais são relativizados por serem socialmente utilizados por indivíduos de baixa escolaridade. Por conseguinte, o terrível preconceito linguístico é pautado na batalha entre ás variantes da fala e cultura regionais, contra a opressão da gramática portuguesa enraizada nas ações sociais como destacou Max Webber.

Portanto, diante de tais abordagens tecidas, nota-se, a fundamental necessidade de parcerias entre entre as escolas,mídia e a população de modo que as escolas promovam debates e ensinamentos sobre a cultura e as múltiplas formas de utilizar a língua portuguesa na literatura, além da população valorizar e respeitar a fala do seu compatriota para realizar o exercício da empatia. Outrossim, a mídia por meio de novelas e séries podem potencializar as falas regionais, e desmistificar a existência de palavras “erradas” para minimizar os preocupantes casos de intolerância em relação as linguagens e falas das múltiplas regiões e locais da nação tupiniquim.