Preconceito Linguístico
Enviada em 06/09/2018
A língua possui vital importância para a sociedade por permitir a comunicação. Sua singularidade está na variação que sofre por depender totalmente do falante. No Brasil, a língua portuguesa possui sérios rigores e regras normativas para obter-se uma escrita perfeita. Ocorre que, o país, além de possuir muitos cidadãos discriminados por não dominá-la, tem, por heranças históricas, muitas variantes da língua falada acarretando assim preconceitos linguísticos para com aqueles que desviam da norma culta.
Na Roma antiga os povos chamados “Bárbaros” representavam sociedades que não compartilhavam da cultura romana e, principalmente, não falavam a sua língua. Análogo a isso, no Brasil o preconceito linguístico se dá, principalmente, porque muitos povos influenciaram os dialetos e modo de falar do povo por meio da colonização. Alemães, portugueses, africanos são alguns exemplos. Em contrapartida a esta pluralidade cultural, as normas de escrita seguem um padrão, ocorrendo, desse modo, que os dominantes do falar e escrever culto, problematizem a “fuga” destas regras pela sociedade.
Ademais, em análise profunda, as variantes da língua são discriminadas pela sociedade a medida que a norma culta é fixada como ideal para todos. Um exemplo recorrente são os personagens de programas de humor, que colocam o nordestino ou o caipira com sotaques característicos e usam-se do desvio da norma culta na fala para atrelar os personagens à ignorância, atestando, assim, que o preconceito linguístico exclui e massifica a desigualdade social no Brasil.
Fica claro, portanto, que a língua é um fator decisivo na exclusão social. Cabe ao Ministério de Educação, por meio da secretarias municipais, fomentar nas aulas de português debates sobre o tema e que, ao final, os professores problematizem o preconceito linguístico e promovam a valorização das variantes da língua como herança histórico-social afim de conscientizar as crianças. Aliado a isso, a mídia, para alcançar a sociedade, deve parar de impor esteriótipos na fala dos personagens, e, sim, investir em campanhas que ajudem a amenizar discriminação linguística vigente.