Preconceito Linguístico
Enviada em 06/09/2018
Na Semana de Arte Moderna, em 1922, os modernistas propuseram o distanciamento da norma culta, não só privilegiando o verso branco e livre, como também o regionalismo. Contudo, hodiernamente, após quase um século, o Brasil ainda sofre com o preconceito linguístico mesmo com a tentativa modernista. O combate dessas atitudes pressupõe uma análise das suas causas e consequências.
A priori, a discussão das causas dessa acentuada discriminação torna-se pertinente. Por mais de três séculos, o Brasil foi colônia de Portugal e, com isso, recebeu diversas influências europeias que foram inseridas em nossa cultura, uma delas o culto a perfeição formal na língua escrita e falada, que reinou durante o Barroco e o Arcadismo brasileiro. Porém, com o advento do império, isso não mudou e até se intensificou com o Parnasianismo, criando uma sociedade atual que respeita apenas a norma culta ou apenas a sua própria variante linguística.
Por conseguinte, as consequências são catastróficas para a cultura brasileira. Segundo o pai da sociologia Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, sendo coercitiva, exterior e geral. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o preconceito linguístico pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo, intensificando o problema, caracterizando, segundo o sociólogo, como uma patologia social.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para solucionar o problema. Destarte, o Poder Legislativo deve propor uma lei, promovendo a criminalização do preconceito linguístico, protegendo nosso patrimônio cultural e os falantes. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por profissionais de letras, que discutam sobre a importância das variantes linguísticas para a cultura brasileira, assim, conseguindo curar essa patologia social.