Preconceito Linguístico

Enviada em 06/09/2018

“A espécie desenvolveu a fala mais para falar sobre os outros do que para falar algo realmente relevante”, responde o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé numa participação no programa de televisão Roda Viva. Agora, além de falar sobre os outros, falar sobre o modo com que os outros falam parece tomar espaço nos dias que correm. Normalmente, isto é acompanhado do processo de ridicularização da fala e menosprezo por parte de outros falantes; a isso, dá-se o nome de preconceito linguístico.

A pressuposição de superioridade do modo de falar, em função da regionalidade, e caricaturização dos demais meios de fala permeiam o problema. As entidades que sofrem esta ridicularização, como nordestinos e interioranos, encontram esse infortúnio nos mais diversos locais, seja na rua, durante o dia a dia, nas redes sociais ou até na televisão. Um típico exemplo seria uma novela qualquer, que retrata certa situação em algum local do Nordeste, e o ator ou atriz faz uso do sotaque baiano, ignorando a riqueza de fala existente nesta região do país. Isto acaba por auxiliar na propagação desse preconceito.

Assim como a exaltação da fala por meio da norma culta, excluindo os falantes que fazem uso da coloquialidade, acompanhado do crescente menosprezo e discriminação da oralidade fora desse padrão. Situação idiossincrásica, já que a escrita, que surge após a fala, é apenas uma maneira de representação da oralidade. Mediante isso, estas normas deveriam, a princípio, acompanhar as variações da língua e seus regionalismos.

Portanto, medidas devem ser tomadas para redução do caso. Cabe ao estado, através do Ministério da Educação, realizar a capilarização desta temática, fazendo a abordagem desse assunto nos materiais didáticos, por meio obras, textos ou charges, a fim de proporcionar uma adequação dos alunos tanto à norma padrão de escrita, quanto ao respeito a coloquialidade e variações da língua; a longo prazo, cabe novamente ao estado e ao vínculo familiar, realizar a educação consciente das próximas gerações de falantes. Através de palestras, oficinas, mostras culturais, realizadas por meio da própria Academia de Letras do Brasil ou Universidades e Institutos pelo país, educando sobre o respeito as variações linguísticas presentes no país. Neste caso, o diferente não é errado, torna-se, apenas, singular.