Preconceito Linguístico
Enviada em 06/09/2018
Algumas novelas da Rede Globo, por exemplo, trás consigo a cultura do norte do Brasil, muitas vezes para ironizar e divertir os espectadores pelo sotaque e gírias que são utilizadas na região que não são conhecidas ou utilizadas em outros estados. O que eles não sabem é que, brincadeiras como essa, podem acarretar em tipos de violências verbais e psicológicas, de uma forma que os nordestinos possam se sentir ridicularizados e acabem sofrendo com esse preconceito linguístico. Ademais, é extremamente triste ver uma rede de televisão tão grande trazendo consigo um dos preconceitos mais antigos como um mecanismo de controle social.
Como dizia o filósofo Jean-Paul Sartre, a violência, não importa como for manifestada, é uma derrota e, o fato de julgar quem fala melhor, quem escreve melhor, é um modo de mostrar superioridade onde não existe porque gírias, sotaques e ideologias desenvolvem a cultura de uma região. A norma culta, as aulas de gramática no ensino médio, implica que aquele é o jeito certo de se comunicar, sendo um grande indício para a exclusão social. É como se os sulistas confirmassem que a norma culta deles fossem a mais correta pois utilizam o pronome “tu” com a conjugação correta do verbo, e aí, como ficam os paulistas, por exemplo?
Por outro lado, é compreensível que as pessoas não conheçam a cultura linguística de outras regiões, tanto porque são muitos os diferentes tipos de comunicação e, seria necessário anos de estudos sobre isso, mas, não justifica a xenofobia. A grade curricular das escolas tendem a focar mais em outras matérias para a contribuição da formação do aluno, tanto porque em escolas públicas não há uma disciplina própria de gramática, ou seja, é como se o conhecimento da norma culta fosse menos importante que qualquer outra disciplina. Também é muito raro ver cursos disponibilizados ou mesmo particulares sobre a cultura brasileira, o enfoque do próprio brasileiro as vezes é em outro país.
Portanto, é necessário resolver o impasse havendo uma parceria entre o Ministério da Educação com as escolas, disponibilizando cursos de gramática em horários fora do escolar, e que haja uma recompensa para os mesmos que se interessarem, como um ponto extra na nota de português, por exemplo ou mesmo na própria aula de português os professores discutam as várias formas de comunicação e peçam trabalhos, seminários e até teatros para que cada grupo apresente a norma culta de uma região do país. Além disso, na mídia, poderia ser abrangido em novelas ou mini séries uma trama mas que mostre a grande diversidade linguística que o nosso país possui e que não seja um motivo para brincadeiras preconceituosas. É importante lembrar que, qualquer forma de assédio linguístico, deveria ser crime.