Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
Sócrates, filósofo da Grécia Antiga, acreditava que somente pelo método da conversação seria possível chegar ao nível de racionalidade. Sua teoria era embasada que a dialética em grupos, em suma com seus alunos, possibilitaria novas formas de pensar, agir e se portar na sociedade. Assim, ao trazer esse pensamento à radiografia brasileira, observa-se o discurso intolerante frente as variantes da língua. Ora, a face da impunidade encastelada de preconceitos.
Esse cenário leva invariavelmente ao sentimento de segregação social. Na ótica do sociólogo Pierre Bourdier isso ocorre por meio da “Violência Simbólica”, teoria que disserta que a parte dominante da sociedade divide classes e as suas diferenças, ao inferiorizar as que não se encaixam em seus padrões estabelecidos. Tal pensamento ratifica a cultura de um novo espectro do “apartheid contemporâneo”, dado que, os inúmeros sotaques e dialetos tupiniquins arvoram julgamentos virtuais, como exemplo que, de acordo com o site “Comunica Que Muda” em torno de 85% de mensagens averiguada nas redes sociais eram de tom xenofóbico. De fato, a rede mundial tornou-se mais uma das armas de propagação do ódio e discriminação.
Adjacente ao exposto, diretrizes sociais são postas em desuso. Na Constituição Federal de 1988, pregoa que “Todos são iguais perante a lei”, falácia legalizada, haja vista as contínuas denúncias de preconceito linguístico e cultural, sem as devidas medidas eficazes que coloquem tais índices em declínio… obviamente sustentado pela má/falta de investimentos da segurança pública. Conforme dados da Secretaria dos Direitos Humanos houve um aumento de 663% de queixas de xenofobia no país, apenas em 2015. Logo, omite-se o direito cidadão acarretado pela disfunção do Estado.
É indubitável, portanto, redefinir esse prisma de intolerância. A priori, cabe ao discurso escolar fomentar palestras ministradas por sociólogos e antropólogos frente as variações da língua, desmistificando preconceitos para com os estudantes, com o fito de conscientizar e propagar o ecumenismo social. Outrossim, cabe ao Ministério da Justiça reverberar investimentos incisivos aos órgãos de segurança pública como, as Delegacias de Crimes Virtuais, a fim de fortalecer a segurança cidadã aliada aos seus direitos garantidos. Dessa forma, a máxima de Augusto Cury se fará verídica: “Somente pelo respeito às diferenças haverá o sentimento de igualdade”.