Preconceito Linguístico

Enviada em 07/09/2018

De acordo com a segunda Lei de Newton, a qual afirma que “todo corpo continua em seu estado de repouso ou em movimento uniforme em linha reta, a menos que seja forçado a mudar o seu estado por forças aplicadas sobre ele”. O preconceito linguístico é um problema e, ao contrario de funcionar como a força aplicada capaz de mudar esse problema da persistência para a extinção a discriminação frente a variação linguística dos falantes brasileiros e o prestígio de uma em relação as demais, acabam por contribuírem com a situação atual.

“R” retroflexo do paulista, chiado do carioca, pronome “tu” do Paraná, todos esses elementos exemplificam uma riqueza brasileira: a variação linguística. Apesar de todos os brasileiros serem falantes da Língua Portuguesa, ela apresenta diversas particularidades no contexto regional, etário, social e histórico. Ou seja, a linguagem está em constante transformação, e os responsáveis pelas mudanças são os próprios falantes, independente de classe social ou nível de escolaridade. Embora a língua seja dinâmica, ainda persistem situações discriminatórias frente aos outros falantes. Fenômenos como o rotacismo, troca do r pelo l, como também influência no léxico  na fala regional, são frequentes. Todavia, ainda que tais situações sejam comuns, muitos indivíduos são discriminados por suas singularidades ao se expressarem. Não raro, esses brasileiros sofrem bullying dentro da escolas, espaço em que a empatia e a elucidação deveriam se fazer presente. Assim, o bullying acaba contribuindo para a persistência da questão do preconceito linguístico.

Ademais, o fato de existir uma variante padrão faz com que as demais sejam desprestigiadas, gerando o preconceito linguístico. O que acentua ainda mais a desigualdade social no país, uma vez que, a língua está totalmente ligada a estrutura e aos valores da sociedade, e os falantes da norma padrão são os indivíduos que apresentam maior nível de escolaridade e poder aquisitivo. Desse modo, torna-se realmente inviável a mudança do estado do preconceito da existência para a extinção.

Portanto, fica evidente a necessidade de uma tomada de medidas que realizem a mudança desse estado. Assim, é interessante que o Ministério da Educação (MEC) estabeleça projetos, junto aos professores, por meio de dinâmicas em grupos, a fim de trabalhar a inclusão e aceitação entre os estudantes, além de ensinar nas aulas de Português, todas as variantes existentes na língua. Outrossim, é interessante que a mídia deveria parar de estereotipar os personagens de acordo com sua maneira de falar e investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico. Só assim, o MEC e a mídia funcionarão como a força descrita por Newton e mudarão o estado do preconceito linguístico, da persistência para a extinção.