Poluição sonora: desafio para a saúde coletiva

Enviada em 03/09/2020

Conforme as ciências da natureza, a poluição sonora conceitua-se por uma emissão contínua de ondas acústicas de alta intensidade, o que a torna um fenômeno prejudicial para o bem-estar humano mental e físico. Contudo, apesar de sua gravidade, tal problema continua presente no Brasil e no mundo, sendo um desafio para a saúde coletiva. Dessa forma, aspectos como a desordem urbana e a pouca assistência policial são responsáveis pela formação de um panorama crítico.

Vale destacar, incialmente, o caos da dinâmica citadina como fator preocupante. Nesse sentido, cabe citar o geógrafo Milton Santos em seu conceito de ‘‘Aldeia Global’’, o qual define o núcleo urbano como ferramenta de perversidades. Assim sendo, as metrópoles seriam perversas ao apresentarem ritmos frenéticos de circulação dos automóveis, responsáveis por poluir sonoramente o ambiente e criar uma condição insustentável de vivência. Esse contexto, portanto, ameaça a saúde humana e, por isso, deve ser eficazmente alterado.

Ademais, também deve-se compreender o pouco policiamento acústico como agravante. Nessa perspectiva, o pensador alemão Georg Hegel aponta o Estado como maior responsável por generalizar a qualidade de vida. Contudo, é perceptível que a realidade destoa do pensamento hegeliano, uma vez que a deficiente fiscalização ameaça a segurança de habitantes ao negligenciar a danosa exposição aos ruídos. Logo, medidas amplas devem ser tomadas para superar os presentes desafios no Brasil.

Para tal, compete ao Ministério do Desenvolvimento Regional reduzir o fluxo de transportes nas grandes cidades por meio da criação de um projeto de lei. Por sua vez, o projeto deve direcionar verbas para ampliação do transporte coletivo e a criação de vias alternativas, com o objetivo de organizar o tráfego. Ainda, urge que o Ministério da Segurança Pública destine maior quantitativo de profissionais de fiscalização para verificar se a sonoridade segue os padrões adequados, com o fito de assegurar saúde. Dessa feita, a problemática científica há de se limitar aos estudos teóricos.